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Investigação teria apontado alterações na cena do crime e a ausência da arma no local; advogado que havia declarado ter ouvido tiro por parte dos meninos mudou seu depoimento

Perícia indicou que local onde menino foi encontrado morto não foi devidamente preservado
TV Globo / Reprodução
Perícia indicou que local onde menino foi encontrado morto não foi devidamente preservado


A perícia que apura a morte de um menino de dez anos assassinado em conflito com a Polícia Militar, em São Paulo, na última quinta-feira (2), afirmou que não existem indícios de que tenha ocorrido disparos a partir do veículo em que estavam ele e um colega, de 11 anos. Para os peritos, segundo informou o "Bom Dia Brasil" (TV Globo), a cena do crime foi alterada.

Os indicativos seriam o carro roubado pelos meninos, que estaria revirado eo corpo do garoto baleado, que havia sido mexido. Aa própria arma que os policiais alegaram ter sido usada para atirar contra as viaturas também não estava no local e foi levada direto para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O ouvidor das polícias de São Paulo, Júlio César Neves, informou ao jornal que irá pedir que o menino sobrevivente preste um novo depoimento, uma vez que ele contou três versões diferentes nas audiências anteriores, sendo a última, acompanhado de uma psicóloga, de que nenhum dos dois estavam armados.

Um advogado que antes havia declarado ao DHPP que os meninos atiraram contra os policiais, alterou sua versão, afirmando, agora, ter ouvido os disparos, mas sem poder afirmar com certeza a origem destes – se do veículo onde eles estavam ou da parte dos policiais. A apuração trabalha com ambas as hipóteses, tanto de reação por legítima defesa dos agentes quanto de execução.

Acusações

A doméstica Cintia Ferreira Francelino, de 29 anos, mãe do menino morto, afirmou não acreditar na versão oficial e defendeu que os policiais plantaram a arma que supostamente teria sido usada pela criança. Acusando os agentes de terem cometido homicídio, a mulher questionou: "Como ele (o policial que deu um disparo na cabeça do menino) não viu que era uma criança, meu Deus? Ele não tem filho?"

Vizinha e amiga da família, Sidinai Santos Batista também rebateu a história contada pela PM, que estaria "mal contada". Ela disse que o menino nunca teve acesso a armas.

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