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Esquema foi denunciado por jornal e envolve funcionários da manutenção, auxiliares administrativos e ao menos um médico

Hospital ligado à USP informou que abrirá sindicância para apurar fatos relatados pela reportagem
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Hospital ligado à USP informou que abrirá sindicância para apurar fatos relatados pela reportagem

O pagamento de R$ 380 a um grupo de funcionários do Hospital das Clínicas (HC), na zona oeste da capital paulista, permite ao paciente que fure a fila de espera para consultas, exames, cirurgias e medicamentos no maior complexo hospitalar da América Latina. A informação foi revelado pelo jornal "Diário de S.Paulo" nesta quarta-feira (8).

A reportagem do jornal se passou por paciente e acompanhou durante três semanas o funcionamento do suposto esquema, que começa com um servidor público do último escalão do HC e termina dentro de um consultório, com o atendimento por um especialista de renome.

De acordo com o "Diário de S. Paulo", o grupo é formado por um funcionário da manutenção, auxiliares administrativos e ao menos um médico. A reportagem afirmou que, com o pagamento, obteve a matrícula que comprova ser paciente do HC, furou a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e recebeu uma receita do neurologista.

O jornal disse que os médicos entram no esquema ao abrir brechas em suas agendas "oficiais" para atender os pacientes conduzidos até a porta do consultório pelo servidor. O auxiliar de serviços gerais seria o responsável pela captação dos "clientes" e pelo recebimento do dinheiro.

Procurado pela reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo", o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) informou que será aberta uma sindicância para apurar os fatos relatados e que, comprovada a participação de funcionários, eles serão exonerados. O hospital afirmou ainda que "o funcionário citado na reportagem será afastado preventivamente".

Em caso de participação de médicos, o HC encaminhará a denúncia ao Conselho Regional de Medicina (CRM). O hospital declarou que fará o registro de um boletim de ocorrência para que os fatos sejam investigados.

Após a publicação da reportagem, a Corregedoria Geral da Administração (CGA), do governo estadual, iniciou diligência no HC para apurar a denúncia. Em nota, a CGA informou que quatro corregedores foram destacados para a investigação, que, além das diligências terá oitivas com os funcionários.