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Desde quinta-feira, 14 ônibus foram incendiados e 25 adolescentes fugiram de unidade de detenção; órgão do Ministério da Justiça precisa ajudar a conter onda de violência

Estadão Conteúdo

Policiais fazem operação de revista a passageiros de ônibus em meio à onda de violência
Governo do Maranhão/Divulgação
Policiais fazem operação de revista a passageiros de ônibus em meio à onda de violência

Departamento subordinado ao Ministério da Justiça, a Força Nacional de Segurança Pública chega na segunda-feira (23) a São Luís para tentar ajudar a conter a onda de violência que assola a capital maranhense desde quinta-feira (19). 

De acordo com o delegado-geral de Polícia Civil do Maranhão, Lawrence Melo Pereira, 128 homens da Força Nacional vão reforçar a segurança na cidade. Em meio ao caos nos últimos dias, 14 ônibus foram atacados e 25 adolescentes infratores fugiram de uma Unidade de Detenção Provisória.

As ações violentas foram praticadas por facções criminosas como forma de reação a dura repressão aos detentos que está ocorrendo no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. E, em meio à situação de caos na Segurança Pública, o governador Flávio Dino (PCdoB) solicitou ao Ministério da Justiça o envio da Força Nacional, que já começa a atuar nesta segunda-feira (24).

Desde o início dos ataques, houve reforço do policiamento na zona rural da região metropolitana, nos pontos finais e, também, nas paradas de ônibus, terminais de integração, nas áreas e bairros mapeados pela demanda de ocorrências.

Uma das mais violentas capitais do Brasil
Não é a primeira vez que a Força Nacional, criada em 2004 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é chamada para tentar ajudar a conter a violência em São Luís – terceira no ranking das capitais mais violentas do Brasil, com taxa de 69,1 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Nos últimos anos, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), também pediu ajuda federal para ajudá-la em seu Estado, também com foco no controle dos detentos de Pedrinhas, presídio conhecido por sua extrema violência, onde uma rebelião terminou com saldo de 18 decapitados em 2010.

Jefferson Portela, secretário de Segurança do Maranhão, acompanha policiais em ação na periferia
Governo do Maranhão/Divulgação - 22.05.16
Jefferson Portela, secretário de Segurança do Maranhão, acompanha policiais em ação na periferia

Mais uma vez, os ataques foram comandados de dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas por líderes de facções criminosas. O suposto autor das ordens dos últimos atentados, Eliakim Machado, o "Sadrak", é um dos líderes do Bonde dos 40, uma das quadrilhas mais perigosas em atuação no Maranhão.

Em uma interceptação telefônica feita pela Secretaria de Segurança Pública, Eliakim ordena: "Boa noite, meus irmãos da família 40! Tá dado aí um salve geral aí pra tá agarrando os ônibus, de preferência no ponto final, pois não tem ninguém dentro, tá tocando fogo nos ônibus. Mas é pra pegar fogo todinho mesmo os ônibus. Forma de protesto contra a opressão que estamos sofrendo no sistema penitenciário".

A opressão citada pelo detento se refere à forte repressão que a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária impôs aos prisioneiros após a morte do auxiliar de agente penitenciário, Gilvan Cordeiro, executado na capital maranhense por membros de facções criminosas.

Para tentar acalmar a população e passar um clima de tranquilidade, Dino acompanhou pessoalmente as operações de policiamento ostensivo da noite de sábado (21). "A polícia está presente para garantir a ordem pública", declarou.

Desde que passou a adotar o policiamento ostensivo, as forças de segurança do Maranhão identificaram e prenderam 38 suspeitos, sendo 21 autuados pelos ataques aos ônibus e outros crimes. O secretário de Segurança, Jefferson Portela, classificou os atentados de "atos covardes" e garantiu que "a força do crime não vai predominar no Maranhão, e todos os autores e mentores vão ser identificados".

Ainda de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, a partir do governo Flávio Dino, com novas estratégias e apoio dos serviços de inteligência, a polícia alcançou grandes traficantes, desarticulou quadrilhas locais e interestaduais, ocasionando, segundo cálculos do delegado geral Lawrence Melo, um prejuízo de R$ 5 milhões ao narcotráfico. Só em uma única operação, R$ 500 mil reais em entorpecentes provenientes do Mato Grosso do Sul foram apreendidos.