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Segundo levantamento, psiquiatria, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral são as áreas mais críticas na rede do SUS

Rio de Janeiro foi o Estado que perdeu mais leitos nos últimos cinco anos, de acordo com CFM
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Rio de Janeiro foi o Estado que perdeu mais leitos nos últimos cinco anos, de acordo com CFM

Um estudo divulgado na manhã desta terça-feira pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que o Brasil perdeu 23.565 leitos hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos cinco anos. Entre 2010 e 2015, o número caiu de 335.482 para 311.917 - ou seja, uma diminuição de pouco mais de 7%.

Segundo a entidade, as áreas mais críticas são de psiquiatria, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral, onde as vagas para internação tiveram grande baixa. No caso da psquiatria, a queda foi de 27,9% - de 38.713 para 27.912

As maiores quedas ocorreram nos Estados do Rio de Janeiro (22% leitos a menos), Sergipe (20,9%), Distrito Federal (16,7%), Paraíba (12,2%), Goiás (11,5%) e Acre (11,5%). Ao todo, 19 dos 27 (incluse DF) perderam leitos. Por outro lado, apesar de tímido, a rede particular registrou aumento: 2.210 a mais no mesmo período.

De acordo com o CFM, essa diminuição é a principal justificativa para a demora no atendimento dos pacientes, no diagnóstico das doenças e superlotação dos hospitais e pronto-socorros. "São doentes que acabam 'internados' nas emergências à espera do devido encaminhamento para um leito adequado, correndo riscos de contrair infecções", afirmou Carlos Vital, presidente do CFM. 

Os dados foram retirados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde do Brasil (CNES).

Sem grana

Antes da divulgação do estudo, o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), havia afirmado em entrevista à Folha de S. Paulo que "quanto mais gente puder ter planos [de saúde], melhor", em referência às dificuldades da pasta em bancar os custos do SUS.

A gestão anterior do próprio Ministério já tinha informado que os recursos destinados ao Samu (carros que prestam serviço de resgate de emergência) e o Farmácia Popular durarão apenas até agosto de 2016.

Segundo a reportagem, Barros teria dito ser necessário rever o sistema de saúde e promover uma "repactuação", na qual a própria Constituição brasileira teria de ser alterada. Mais tarde, no mesmo dia, o titular afirmou que não se referia ao SUS, mas sim à Previdência Social.