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Outdoor, instalado em Curitiba, pedia menos direitos aos deficientes; Conselho ligado à Prefeitura assumiu a autoria

O polêmico outdoor instalado em Curitiba que pedia pelo fim dos privilégios dos deficientes foi alvo de muitos comentários nas redes sociais. O outdoor, supostamente assinado pelo Movimento pela Reforma dos Direitos, um movimento desconhecido, era, na verdade, parte de uma ação social do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A peça publicitária era acompanhada de uma página no Facebook.

Página do Movimento pela Reforma dos Direitos também fazia parte da campanha publicitária
Reprodução/Facebook
Página do Movimento pela Reforma dos Direitos também fazia parte da campanha publicitária

Nesta terça-feira (1), a mesma página publicou um vídeo de esclarecimento, explicando que o intuito da campanha era provocar revolta e que o grupo esperava que todas as pessoas que se revoltaram na internet não se calassem com estas situações no cotidiano, seguindo em frente com denúncias.

O vídeo foi compartilhado pela página da Prefeitura de Curitiba e os internautas deixaram comentários criticando a campanha. "Prefs, sou fã de carteirinha de vocês. Mas que pisada na bola heim? Foi horrível todo o teatro, a petição então... uma ação dessas é inclusive contra a lei não importando o objetivo. Vocês pisaram na bola muito feio, feio mesmo... Revejam seus conceitos.", comentou um internauta. A página do Facebook respondeu a praticamente todos os comentários, ressaltando que a ação era uma iniciativa do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Houve quem gostasse da iniciativa. Um estudante de publicidade deixou seu comentário, elogiando a campanha e a repercussão. Muitos usuários chamaram atenção para o fato do vídeo, que fala sobre acessibilidade, não ter legendas nem tradução para libras.

Mirella Prosdócimo, presidente do Conselho, no vídeo que esclarece o objetivo da campanha
Reprodução/Facebook
Mirella Prosdócimo, presidente do Conselho, no vídeo que esclarece o objetivo da campanha

Procurada pela reportagem, Mirella Prosdócimo, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, afirma que o objetivo era incomodar mesmo e causar constrangimento. "Atingiu o objetivo, foi tudo pensado ao longo do desenvolvimento", garante ela. Segundo a presidente, a campanha foi dividida em duas fases, e a primeira, que durou 24 horas, consistia na página e no outdoor. A segunda fase, que começa agora após o esclarecimento, procura trazer conscientização para a sociedade, que muitas vezes, tem essa postura veladamente. Mirella ressalta que, no Brasil, 24% da população possui alguma deficiência; em Curitiba, são 300 mil. 

A Prefeitura de Curitiba está se tornando conhecida pela sua página bem-humorada e solícita no Facebook. Além de postagens engraçadas, a página responde atenciosamente aos comentários e questionamentos. No entanto, alguns internautas avaliaram que o humor passou dos limites, neste caso. Uma usuária comentou: "Sensibilidade pra que, eu pergunto. Gosto da prefs, apesar de achar humor demais e trabalho questionável, mas errou feio. Bem feio." 


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