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Secretaria de Saúde afirma que mulheres foram infectadas em Estados do Nordeste; ainda não há casos autóctones na capital

Secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha disse que transmissões ocorreram no Nordeste
Paulo Pinto/Fotos Públicas - 24.08.2015
Secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha disse que transmissões ocorreram no Nordeste

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo confirmou o registro de dois casos de microcefalia em bebês na capital paulista, na manhã desta quinta-feira (26). O País vive o início de um surto da condição, anomalia que impede o desenvolvimento do cérebro e cuja origem, acredita-se, é a infecção por zika vírus durante a gravidez. 

De acordo com a pasta, comandada pelo secretario Alexandre Padilha, as mães dos dois bebês, cujos nomes e idades não foram divulgados, engravidaram no Nordeste, região com maior número de casos de microcefalia e onde se iniciou a suspeita de médicos de ligar a anomalia ao vírus, transmitido pelo Aedes Aegipti, mesmo mosquito transmissor da dengue.

Uma delas deu à luz na semana passada, em um hospital na região do Butantã, zona oeste da capital paulista. A outra, atualmente grávida de 36 semanas, teve a anomalia identificada em ultrassom realizado na Santa Casa de São Paulo, onde é submetida a tratamento. Apesar de não haver cura, a condição pode ser amenizada, melhorando a condição da pessoa afetada. 

A média de casos de microcefalia na capital paulista é de 10 a 15 por ano – em 2015, foram 12 até o momento. No entanto, é a primeira vez que ele é diagnosticado na cidade em bebês de mulheres previamente infectadas com o zika vírus – normalmente, a anomalia é consequência, por exemplo, do uso de álcool ou drogas durante a gestação.

Ainda não há casos autóctones na capital paulista – quando a transmissão ocorre dentro da cidade. Existem, no entanto, dois registros de transmissão, ambos no interior do Estado e no primeiro semestre, em Sumaré e São José do Rio Preto.

O Ministério da Saúde classifica o zika vírus como "uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti, caracterizada por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após três a sete dias".

Pernambuco é atualmente o Estado com maior número de casos de microcefalia no País, todos sob investigação para se descobrir a ligação entre eles e o vírus: 487 registros em 2015. Também há registros na Paraíba (96), Sergipe (54), Rio Grande do Norte (47), Piauí (27), Alagoas (10), Ceará (9), Bahia (8) e Goiás (1).

Nota da redação: Uma versão anterior desta reportagem informou equivocadamente o prazo de gestação de uma das grávidas. A informação foi corrigida.

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