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Para ele, apesar da tragédia que deixou mais de uma dezena de mortos, mais de 4 mil dependem da mineração para trabalhar

Agência Brasil

Apesar do rompimento de barragens que deixou ao menos 11 mortos em Mariana (MG) no último dia 5 de novembro, o prefeito Duarte Júnior defendeu a continuidade da prática da mineração no município pois sem ela, segundo ele, seriam fechadas portas à sua população. “Dizer que não pode mais haver mineração é afirmar que serviços básicos terão de ser parados e que 4 mil pessoas vão perder seus empregos”, comentou Duarte Júnior, nesta segunda-feira (16).

O prefeito, Duarte Júnior, diz que se mineração acabar, 4 mil pessoas perderão seus empregos
Antonio Cruz/Agência Brasil
O prefeito, Duarte Júnior, diz que se mineração acabar, 4 mil pessoas perderão seus empregos

“A mineração representa 80% da nossa arrecadação. A gente tem a preocupação, para não haver um colapso total da cidade. Tenho que ser realista e dizer que a nossa cidade não trabalhou na diversificação econômica."

No último dia 5, duas barragens da mineradora Samarco – empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton – se romperam, formando uma onda de lama que destruiu o distrito de Bento Rodrigues e chegou a outras regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo.

A lama foi parar no Rio Doce, impedindo a captação de água e prejudicando o ecossistema da região. Até a manhã desta segunda-feira, sete corpos haviam identificados, quatro aguardam identificação e 15 pessoas permanecem desaparecidas. Mais de 600 ficaram desabrigadas.

Para o prefeito de Mariana, a responsabilidade pela tragédia é da Samarco, mas é inviável dizer que não pode mais haver mineração na cidade. “Nós somos dependentes da mineração. Defender o fim da mineração é defender o fechamento da prefeitura. Isso me preocupa muito porque a cidade precisa continuar a seguir seu rumo. Querendo ou não, a vida vai seguir”.

Segundo Duarte Júnior, a multa aplicada pelo governo federal à Samarco, de pelo menos R$ 250 milhões, não vai ajudar as famílias atingidas e nem a reconstrução das áreas destruídas. “É preciso que se crie um fundo, de R$ 500 milhões, R$ 1 bilhão, para reconstruir o que foi perdido, reconstruir a vida das pessoas”, defendeu. O prejuízo material até agora calculado pela prefeitura de Mariana é de R$ 100 milhões.