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Alunos da Escola Estadual Fernão Dias Paes, em São Paulo, passaram a noite no local e são apoiados por outros colegas do lado de fora; ocupação começou na manhã de terça-feira (10)

Adolescente passa mal após inalar spray de pimenta em frente ao Colégio Fernão Dias Paes, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP)
André Lucas Almeida/FuturaPress
Adolescente passa mal após inalar spray de pimenta em frente ao Colégio Fernão Dias Paes, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP)

O segundo dia de ocupação na Escola Estadual Fernão Dias Paes, que fica no bairro Pinheiros, zona oeste de São Paulo, promovida por estudantes contrários à reestruturação da rede de ensino promovida pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), começou com desentendimentos entre apoiadores do ato e a Polícia Militar.

Ao menos uma adolescente passou mal na manhã desta quarta-feira (11) após inalar spray de pimenta disparado por agentes da PM.

Segundo a própria Polícia, um rapaz foi contido nesta manhã de quarta-feira (11) após cruzar o perímetro de isolamento da área. A PM afirma que nenhum manifestante foi preso por participar do ato. No entanto, desde terça-feira pelo menos duas manifestantes foram levadas para trás da Base Comunitária Móvel da PM, cercados por policiais. Após uma conversa, elas foram liberadas.

Um grupo de alunos permanece dentro do prédio. A conselheira tutelar Maria Nita, que acompanha o caso, não soube informar a quantidade de manifestantes. Eles realizaram uma assembleia na escola ontem às 20h e decidiram que só deixarão o local caso o governo estadual recue da proposta de fechar 94 escolas em todo o Estado. Hoje pela manhã, eles limparam os banheiros da escola e fizeram uma barricada no portão de entrada com cadeiras das salas de aula.

Por meio da assessoria de imprensa, a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo afirmou que vai entrar com ação na Justiça para retirar as pessoas de dentro da escola.

Os estudantes que ocupam o local recebem alimentação através do Conselho Tutelar e da Polícia, que realiza a entrega da comida. Houve corte na distribuição de água para a escola por volta das 18h na noite da terça-feira. O abastecimento foi reestabelecido às 19h. O secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, visitou o local e chegou a entregar garrafas d'água para os alunos.

Os alunos menores de idade só têm a saída liberada do prédio se acompanhados pelos pais, responsáveis ou pelo Conselho Tutelar. Até agora, 15 já deixaram do local.

A escola estadual Fernão Dias Paes não integra a lista de instituições que serão fechadas na reestruturação, mas os estudantes afirmam que o objetivo do protesto é defender todas as escolas contra o fechamento, além da má qualidade da estrutura do local.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo afirma que a Polícia Militar acompanha o protesto de alunos em Pinheiros para “resguardar a integridade dos manifestantes e dos demais cidadãos que estão no local” e que impede a entrada de novos manifestantes devido à irregularidade da ocupação do prédio.

O protesto é acompanhado por equipes do 23° Batalhão da Polícia Militar e por membros do Conselho Tutelar, que afirmam estar lá para "garantir o direito dos estudantes".

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Cerca de 200 alunos manifestaram apoio aos estudantes que ocupavam escola em Pinheiros
Lucas Alves/iG São Paulo - 10.11.15
Cerca de 200 alunos manifestaram apoio aos estudantes que ocupavam escola em Pinheiros

Cerca de 70 estudantes ocuparam na manhã de terça-feira (10) o prédio da escola estadual Fernão Dias Paes, localizada em Pinheiros, área nobre da zona oeste paulistana. Do lado de fora da escola, aproximadamente 200 pessoas, entre professores e estudantes, fizeram ato de apoio à ocupação. 

O grupo que invadiu o prédio se concentrou na sala da diretoria e no refeitório da escola.

Por volta das 16h40 da terça-feira, uma adolescente de 16 anos foi levada para a Base Comunitária da PM. Aproximadamente 100 jovens reagiram aos gritos contra a detenção da garota, que foi liberada pouco tempo depois. A polícia ainda pegou a identidade de outra menina que estava no protesto.

Segundo a reestruturação anunciada pelo Palácio dos Bandeirantes, a Fernão Dias Paes passará a ter apenas turmas do Ensino Médio a partir de 2016, deixando assim de ter as séries do Ensino Fundamental.

Em nota divulgada ontem, a Secretaria de Educação do Estado lamentou a interrupção das aulas provocada pelo protesto e informou que a diretoria tentou receber uma comissão de estudantes, que teria se recusado a conversar. A diretoria diz ainda considerar as manifestações "legítimas, desde que não desrespeitem a lei e o direito de estudar dos alunos".