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Símbolo é usado em festa tradicional de descendentes de americanos de Santa Bárbara d’Oeste

BBC

O debate sobre a bandeira dos Estados Confederados voltou a ganhar fôlego entre os americanos, após o massacre na semana passada em uma histórica igreja da comunidade negra na cidade de Charleston, em que um atirador matou nove pessoas – um crime que teria sido motivado por ódio racial.

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Bandeira está em toda parte na festa tradicional entre descendentes de americanos de Santa Bárbara d’Oeste
Reuters
Bandeira está em toda parte na festa tradicional entre descendentes de americanos de Santa Bárbara d’Oeste

A bandeira foi usada pelos Estados do sul do país durante a Guerra Civil (1861 - 1865), quando estes, os chamados Estados Confederados, buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Para os negros, a bandeira é vista como um símbolo da supremacia branca.

Mas não é apenas nos Estados Unidos que a polêmica bandeira é hasteada. Ele é alçada às alturas também em Santa Bárbara D’Oeste, uma cidade no interior de São Paulo, a 140 quilômetros da capital.

Todos os anos, há uma festa tradicional dos descendentes dos cerca de 10 mil confederados que deixaram os Estados Unidos com destino ao Brasil durante a Guerra Civil americana.

"A Festa Confederada tem coisas que são estereótipos do sul do país (EUA) como dançar 'square dance' (semelhante à quadrilhas), comer frango frito e ouvir George Strait (cantor de country)", conta Asher Levine, correspondente da agência de notícias Reuters em São Paulo.

"E a bandeira dos Estados Confederados está em todos os lugares."

'Cena surpreendente'

Apesar de estarem na sexta ou sétima geração, muitos moradores de Santa Bárbara ainda mantém uma forte ligação com a cultura sulista americana e ficam orgulhosos de portar a bandeira confederada.

Mas segundo Levine, para os moradores, a bandeira é mais um símbolo étnico do que político.

"Até um certo ponto, eles se veem como etnicamente americanos", diz o jornalista. "Em um festival italiano, você vê pessoas com bandeiras da Itália. Ou no Saint Patrick's Day, com bandeiras da Irlanda. É isso. Não há afiliação política nem nada disso." 

Com o passar do tempo, os descendentes americanos se misturaram aos brasileiros. Assim, há pessoas de diferentes cores de pele carregando a bandeira dos Estados Confederados – uma cena que pode surpreender os americanos.

"Muitos dos descendentes desses confederados têm sangue africano também, então você vê pessoas negras com a bandeira", diz Levine.

Ele conta que conversou com um americano no festival que ficou completamente chocado ao ver uma menina cantando Amazing Grace – que costuma ser cantado em igrejas da comunidade negra – com uma bandeira dos Estados Confederados. O símbolo, aliás, está também em bandeirinhas levadas por crianças e em estampas de vestidos usados por muitas mulheres.

"Para eles, o simbolismo foi totalmente perdido. Mas para nós (americanos), é um grande contraste."

Levine diz ainda que a matança em Charleston está sendo vista no Brasil mais como um problema do controle de armas do que uma questão racial.

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