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Segundo o secretário David Uip, os cortes de repasses somados à judicialização da saúde e à utilização inadequada de serviços fazem com que a conta fique cada vez mais longe de fechar

Além de menor repasse, Uip também lista a judicialização como causa da carência de recursos para Saúde no Estado
Adriana Spaca / Futura Press
Além de menor repasse, Uip também lista a judicialização como causa da carência de recursos para Saúde no Estado

O secretário estadual da Saúde de São Paulo, o médico infectologista David Uip, disse nesta segunda (8) que o Estado deixou de receber repasse do governo federal no valor de R$ 1,7 bilhão. 

"Com o corte federal, nem o ressarcimento dos atendimentos de média e alta complexidade a gente tem recebido", disse Uip. "O que eu sempre digo é que gostaria que São Paulo fosse tratado ao menos como outros Estados."

Uip diz que tem conversado sistematicamente com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e que, apesar de entender que a diminuição de verbas faz parte do contingenciamento do orçamento federal, é preciso mostrar o impacto no atendimento à população.

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O governo federal anunciou, no mês passado, um corte de R$ 69,9 bilhões no Orçamento da União para 2015. O Ministério da Saúde teve um corte de 11,7 bilhões, o segundo, atrás apenas da pasta de Cidades, que receberá R$ 17,2 bilhões a menos.

Recursos são mal usados

De acordo com o secretário de Saúde, o setor sofre ainda com a judicialização das ações de saúde – em 2014, a Secretaria de Estado da Educação gastou R$ 547 milhões com o cumprimento de ações judiciais, dos quais R$ 56,2 milhões pagaram remédios importados. Em 2015, estima Uip, o montante deve chegar a R$ 700 milhões. 

"A Justiça concede a liminar e temos de atender. Recentemente, por exemplo, fomos obrigados a empenhar R$ 20 milhões para atender a 37 pacientes que sofrem de uma determinada doença por quatro meses", conta. "A questão é se é correto fazer isso em detrimento do restante da população. O gestor da saúde tem que tomar esse tipo de decisão."

A utilização inadequada dos serviços por parte da população, completou o secretário, também ajuda a pesar na equação de resultado negativo. Segundo levantamento da pasta, 81% dos pacientes em pronto-socorro, por exemplo, poderiam estar sendo atendidos nas unidades básicas de saúde.


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