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Apesar de registrar aumentos em Minas Gerais (53,7%) e no Espírito Santo (10,3%), Sudeste teve queda no geral

Das cinco regiões brasileiras, apenas o Sudeste registrou queda no número de vítimas de armas de fogo no período entre 2002 a 2012. De acordo com o Mapa da Violência 2015, divulgado nesta quinta-feira (14), em Brasília, enquanto as regiões Norte (135,7%), Nordeste (89,1%), Centro-Oeste (44,9%) e Sul (34,6%) tiveram altas no número de mortes, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo reduziram esse tipo de mortalidade em quase 40% no período.

Se for considerada a taxa de mortes por arma de fogo por Estado – índice que leva em consideração a população – São Paulo, Rio de Janeiro, Roraima e Pernambuco lideram o rankingde estados que conseguiram diminuir o número de vítimas. Na outra ponta da lista estão o Maranhão, Ceará, Amazonas e Rio Grande do Norte, estados com maior crescimento nos índices.

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Elaborado pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura no Brasil (Unesco), o Mapa da Violência 2015 – Mortes Matadas por Armas de Fogo mostra que entre 2002 e 2012 houve crescimento global de 11,7% das mortes por arma de fogo no Brasil.

O resultado positivo da Região Sudeste, que reduziu as mortes por arma de fogo em 39,8%, foi impulsionado pela melhora dos índices de São Paulo, cujos números em 2012 caíram 58,6% com relação ao ano de 2002, e também do Rio de Janeiro, com queda de 50,3%. Minas Gerais teve aumento de 53,7% e o Espírito Santo, elevação de 10,3%.

Apreensão de armas de grosso calibre e dinamite em favela da Zona Sul de São Paulo
Edu Silva/Futura Press
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O resultado negativo da Região Norte entre 2002 e 2012 teve o impacto dos aumentos de 298,2% de vítimas de arma de fogo no estado do Amazonas, de 204% no Pará e de 120,8% no Amapá. Em uma década, a região mais que duplicou o número de vítimas por arma de fogo. Em contrapartida, Roraima e Rondônia reduziram do número de mortes em 38,6% e 12,5%, respectivamente. O Tocantins e o Acre registraram incremento de 81% e 18,2%, respectivamente, nesse tipo de morte.

Na Região Nordeste, apenas Pernambuco, com queda de 33,4%, conseguiu reduzir o número de vítimas entre 2002 e 2012. O Maranhão (331,8%) e o Ceará (287,9%) praticamente quadruplicaram as mortes por arma de fogo no período. O Rio Grande do Norte, com crescimento de 206,9%, mais que triplicou, enquanto a Paraíba (179,4%), a Bahia (148,3%), Alagoas (140%), e o Piauí (123,4%) mais que duplicaram o número de vítimas.

Na Região Centro-Oeste, o crescimento das mortes por arma de fogo entre 2002 e 2012 foi alavancado pelo aumento desse tipo de morte registrado em Goiás, que mais que duplicou o número de vítimas (107,6%). O Distrito Federal ficou atrás, com 41,1%, seguido por Mato Grosso (8,6%). Mato Grosso do Sul conseguiu reduzir em 24,5% as mortes decorrentes de disparo de arma de fogo.

O estado do Paraná, com crescimento de 55,3% no número de mortes entre 2002 e 2012, liderou o resultado negativo da Região Sul. Santa Catarina teve crescimento de 34,2% e o Rio Grande do Sul, de 15%.

Considerando a população nas cinco regiões do país, as taxas de óbito para cada 100 mil habitantes no Brasil permaneceram praticamente idênticas nos anos extremos da década: 21,7 homicídios por 100 mil habitantes, em 2002, e 21,9, para cada 100 mil habitantes, em 2012.

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