
A poucas semanas do início da temporada de frio intenso no leste europeu, a Rússia atacou instalações de energia em 11 regiões da Ucrânia entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira (19/10). O vice-ministro da Energia, Artem Nekrasov, informou que dezenas de milhares de pessoas ficaram sem eletricidade.
Em uma mensagem publicada no Telegram, Nekrasov afirmou que foram introduzidos apagões programados e restrições ao fornecimento de energia para indústrias e empresas.
O setor energético e a infraestrutura elétrica da Ucrânia vêm sendo duramente atingidos por frequentes ataques aéreos russos ao longo de mais de quatro anos de guerra. Embora o país esteja se preparando para possíveis interrupções durante o inverno europeu, autoridades e moradores temem que novos danos à infraestrutura comprometam os sistemas de aquecimento nos próximos meses.
Nesta segunda-feira, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que o país não recebeu de aliados ocidentais um alerta antecipado sobre os ataques com mísseis balísticos lançados pela Rússia. Segundo ele, Moscou disparou 16 mísseis balísticos contra a região de Kiev e mais de 200 drones contra o território ucraniano durante a noite.
"Outro ataque russo com mísseis balísticos ocorreu em várias ondas durante a noite e, mais uma vez, não houve alerta prévio de nossos parceiros", escreveu Zelenski nas redes sociais.
Dias de interrupção de alertas
A reclamação de Zelenski, no entanto, não é novidade. Na semana passada, Kiev já havia feito alertas semelhantes em relação aos Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que tenha havido qualquer suspensão do compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia.
"Não houve nenhuma interrupção", declarou Rubio nesta segunda-feira, em visita ao Uzbequistão. O chefe da diplomacia americana afirmou ainda que o foco deve estar em encerrar a guerra.
Antes dos ataques deste domingo e segunda, em entrevista à emissora NBC, o presidente ucraniano disse que o compartilhamento de dados de inteligência pelos Estados Unidos ficou interrompido por alguns dias e só recentemente havia sido retomado. Segundo ele, durante três dias, as forças ucranianas ficaram sem acesso a informações americanas enquanto a Rússia realizava ataques com mísseis balísticos.
Zelenski afirmou que a interrupção enfraqueceu a capacidade de defesa do país, mas agradeceu pela retomada da cooperação. Rubio, por sua vez, insistiu que nunca houve uma pausa formal no compartilhamento de inteligência.
Ucrânia acusa Starlink de reduzir velocidade da internet
Outra fonte de atrito entre Washington e Kiev é o sistema de internet via satélite Starlink, utilizado pelas forças armadas ucranianas para comunicação, transmissão de dados e operação de drones. Autoridades ucranianas relataram uma redução temporária da velocidade do serviço após críticas do presidente americano, Donald Trump, aos ataques ucranianos contra instalações petrolíferas russas.
Zelenski sugeriu que a limitação do serviço pode ter sido resultado de uma decisão política de Washington e afirmou acreditar que a SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, implementou tecnicamente a medida. O governo americano rejeitou a acusação. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou a alegação como "muito irresponsável" e afirmou que nem Trump nem Rubio ordenaram qualquer restrição ao sistema.
Elon Musk esquivou-se de qualquer responsabilidade pela situação na Ucrânia e afirmou que "quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares dos EUA e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos".
Críticas de Trump a Zelenski
Nos últimos dias, Trump também voltou a criticar Zelenski. O presidente americano afirma ter alcançado um acordo com a Rússia para garantir exportações de combustíveis em troca de um alívio das sanções contra Moscou.
Em publicação na rede Truth Social no domingo, o republicano declarou que está fazendo "grandes progressos" nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Segundo ele, porém, "Zelenski não se importa" com o fim do conflito e "provavelmente nunca quis acabar com esta guerra".
O líder ucraniano rebateu as declarações nesta segunda-feira. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou que "a Ucrânia nunca quis esta guerra" e que recebeu positivamente "literalmente todas as tentativas" dos parceiros internacionais de alcançar uma solução para o conflito.
"A resposta da Rússia, repetidamente, tem sido mísseis balísticos, drones Shahed e mortes", afirmou.
Zelenski também criticou a postura de alguns aliados ocidentais. "Quando o envio de mísseis para a defesa aérea da Ucrânia é bloqueado e a Rússia recebe alívio ou adiamentos em sanções, isso é, infelizmente, uma negação da realidade por parte de nossos parceiros", declarou.
le/md (reuters, afp)