Incêndio em base militar do Canadá deixa ao menos 7 mortos

Chamas teriam começado após explosão ocorrida durante treinamento.

Dezenas de pessoas ficaram gravemente feridas, o que chegou a sobrecarregar hospitais da região
Foto: Redação DW
Dezenas de pessoas ficaram gravemente feridas, o que chegou a sobrecarregar hospitais da região

Pelo menos sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após uma explosão seguida de incêndio em uma base militar na província de Alberta, no Canadá, informou a emissora pública CBC News neste domingo (18/10). Em pronunciamento, o primeiro-ministro canadense havia confirmado quatro mortes na Base das Forças Canadenses de Wainwright, mas a CBC citou fontes não identificadas para informar que o total de vítimas havia chegado a sete pessoas.

O primeiro-ministro Mark Carney descreveu o incidente como uma das piores tragédias em tempos de paz para as forças armadas do Canadá em solo nacional. A base, uma das maiores do Canadá, fica cerca de 210 quilômetros a leste de Edmonton, em Alberta. O ministro da Defesa, David McGuinty, afirmou neste domingo que viajaria à cidade para acompanhar a situação.

Poucos detalhes foram divulgados sobre o incêndio, que começou por volta das 16h de sábado em uma área de treinamento da base. De acordo com a CBC News, uma explosão aconteceu durante um exercício com munição real. Um dos disparos teria atingido um duto ou um poço de gás natural no sábado. O incêndio se espalhou rapidamente para fora da área de treinamento, impulsionado por ventos fortes, e exigiu a mobilização de um amplo dispositivo de emergência. Vários hospitais de Alberta ativaram o protocolo para incidentes com múltiplas vítimas.

As Forças Armadas afirmaram que não divulgarão o número de vítimas até que a notificação às famílias seja concluída. O Ministério da Defesa confirmou apenas que houve mortos e feridos. Militares também informaram que não há indícios de terrorismo, mas que a causa do incêndio ainda está sob investigação

Em pronunciamento televisionado, Carney disse que as famílias dos mortos já foram notificadas e que a situação ainda está em evolução.

De acordo com dados do censo de 2021, a base abrigava 1.310 militares e funcionários civis. O local é sede do Centro Canadense de Treinamento de Manobras, responsável por exercícios e simulações para o exército.

Hospitais da região ficam sobrecarregados

Um médico de um hospital na cidade de Edmonton, 180 quilômetros a noroeste da base, disse à CBC que pacientes foram distribuídos entre diferentes hospitais da cidade depois que as unidades de saúde próximas à base ficaram "completamente sobrecarregadas".

"Esse número de pacientes sobrecarregaria a cidade de Edmonton", afirmou o médico de emergência Warren Thirsk, do Hospital Royal Alexandra. "Há mais pacientes do que qualquer um de nós gostaria de contar agora. É um desastre. É o tipo de desastre que acontece uma vez a cada 15 ou 25 anos."

A rede Acute Care Alberta informou que vários hospitais da província ativaram o chamado "código laranja", protocolo de emergência usado quando diversos pacientes gravemente feridos precisam de atendimento coordenado.

Segundo a agência, os recursos médicos estavam tão pressionados que havia pouquíssimas ambulâncias disponíveis na região de Edmonton. A população foi orientada a evitar, se possível, o pronto-socorro do Hospital da Universidade de Alberta.

O prefeito de Wainwright, Bruce Pugh, disse que o pequeno hospital da cidade não foi projetado para lidar com um evento com tantas vítimas, mas elogiou a atuação das equipes médicas locais. Ele afirmou que helicópteros e aviões estavam transportando pacientes para outras unidades de saúde.

Pelo menos dez ambulâncias estavam estacionadas dentro e ao redor do centro de saúde de Wainwright na noite de sábado, enquanto paramédicos e militares trabalhavam intensamente. Um dos feridos foi visto sendo colocado em uma ambulância. A cidade de Wainwright, vizinha à base, tem cerca de 7 mil habitantes.

Cathy Keane, candidata à prefeitura em Ontário, informou que seu filho mais velho está entre os militares em estado crítico. "Como mãe, neste momento preciso estar ao lado do meu filho e da minha família", escreveu ela no Facebook, acrescentando que seguia para Alberta.