Costa Rica inaugura megaprisão inspirada em modelo de Bukele

Com capacidade para mais de 5 mil detentos, prisão de segurança máxima nas proximidades de San José é destinada a presos de maior periculosidade

Inauguração da nova prisão contou com a presença da presidente da Costa Rica
Foto: Redação DW
Inauguração da nova prisão contou com a presença da presidente da Costa Rica

A Costa Rica, considerada por muito tempo um dos países mais seguros da América Latina, está ampliando seus esforços contra o crime organizado e o narcotráfico após um aumento nos homicídios.

Para isso, está buscando inspiração em outro país centro-americano e inaugurou nesta quarta-feira (14/10) uma prisão de segurança máxima destinada aos presos de maior periculosidade, seguindo o modelo criado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Com ela, o governo pretende transformar o país numa referência mundial em segurança penitenciária.

Bukele conseguiu reduzir os homicídios a níveis historicamente baixos em El Salvador, mas enfrenta acusações de abusos cometidos durante o estado de emergência iniciado em 2022 e que já levou ao encarceramento de mais de 91 mil pessoas.

Na Costa Rica, o Centro de Alta Contenção do Crime Organizado (Cacco), construído ao custo de 35 milhões de dólares e com capacidade para 5.100 detentos, fica ao lado da prisão de segurança máxima La Reforma, a cerca de 25 quilômetros da capital, San José.

O objetivo do governo da presidente Laura Fernández é reforçar a resposta à violência num momento em que a Costa Rica registra números recordes de homicídios. Fernández afirmou que o impacto da nova prisão dependerá, em parte, de o Judiciário determinar mais condenações.

Seu governo tem entrado em conflito com as autoridades judiciais por causa das políticas de combate ao crime e dos cortes orçamentários, enquanto juízes e promotores alertam para pressões sobre os mecanismos democráticos de controle e equilíbrio entre os poderes.

Inspirados em Bukele

A obra é inspirada no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), a megaprisão salvadorenha voltada para integrantes de gangues e símbolo da guerra contra essas organizações criminosas conduzida pelo governo de Bukele, a quem Fernández considera uma referência em matéria de segurança. Ela também anunciou uma visita a El Salvador nesta sexta-feira.

A Costa Rica não é o primeiro país a voltar sua atenção para o líder que já se autodenominou "o ditador mais cool do mundo". O Equador fez o mesmo. Também os novos presidentes do Peru e da Colômbia demonstraram interesse pela estratégia. Em toda América Latina, diversos países vêm aderindo a políticas de segurança mais duras, estratégia igualmente apoiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No seu plano de segurança pública, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) defende a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC), do Comando Vermelho (CV), de milícias e outras fações como organizações narcoterroristas, como defende o governo de Trump.

Bolsonaro também quer construir cinco novos presídios federais de segurança máxima, inspirados no modelo adotado por El Salvador, além da criação de 500 mil novas vagas no sistema prisional em parceria com os estados.

Rota da cocaína para a Europa

Segundo dados oficiais, na última década o número de homicídios na Costa Rica aumentou gradualmente até atingir o recorde de 905 assassinatos em 2023. Em 2024, o total caiu apenas ligeiramente para 876 e, em 2025, para 873 homicídios, o equivalente a uma taxa de 16,7 por 100 mil habitantes, permanecendo bem acima dos níveis registrados anteriormente.

As autoridades afirmam que a maior parte dos assassinatos está relacionada a disputas entre grupos criminosos pelo controle das rotas do tráfico de drogas.

Durante décadas, a Costa Rica foi uma zona de trânsito passiva para drogas provenientes da América do Sul, segundo a organização Insight Crime. Mas, sem forças armadas e com extensas áreas de floresta e portos em ambas as costas, o país passou a atrair cartéis mexicanos e colombianos.

No fim da década passada, um novo terminal de cargas transformou o porto caribenho de Limón num centro de armazenamento e transporte de cocaína destinada à Europa, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que num relatório de 2025 também identificou a distribuição de fentanil no país centro-americano.

Hoje, os dois principais cartéis mexicanos, Sinaloa e Jalisco, estão presentes na Costa Rica, assim como o colombiano Clã do Golfo, a organização venezuelana Tren de Aragua, todos considerados organizações terroristas pelos Estados Unidos, além de máfias italianas. Ao mesmo tempo, grupos locais vêm se multiplicando.

as/cn (Efe, Reuters, AP, Lusa)