Ex-chanceler alemão trabalhará para rede russa de supermercados

Gerhard Schröder, que governou a Alemanha de 1998 a 2005, vai atuar para a rede de supermercados Hyperglobus

Segundo o jornal russo 'Kommersant', nomeação de Schröder seria uma manobra da Hyperglobus para evitar uma intervenção do Kremlin
Foto: Redação DW
Segundo o jornal russo "Kommersant", nomeação de Schröder seria uma manobra da Hyperglobus para evitar uma intervenção do Kremlin

Criticado por suas ligações com empresas russas e com o presidente russo Vladimir Putin, o ex-chanceler federal alemão Gerhard Schröder, de 82 anos, assumiu uma vaga no conselho de supervisão da rede de supermercados Hyperglobus, subsidiária russa da varejista alemã Globus Holding GmbH & Co., informou a empresa nesta sexta-feira (02/10).

Filiado ao Partido Social-Democrata (SPD), Schröder desenvolveu uma relação próxima com Putin durante seu mandato como chefe do governo da Alemanha, entre 1998 e 2005, e posteriormente ao trabalhar para empresas estatais russas.

Em 2025, a empresa russa havia se separado para formar uma companhia independente, mas o negócio continua sendo operado sob a marca Globus. A empresa opera mais de 20 supermercados na Rússia.

O dono da Hyperglobus é o alemão Thomas Bruch, ex-CEO da Globus e membro da mesma família proprietária da varejista alemã.

Segundo a Hyperglobus, Schröder será responsável por apoiar o desenvolvimento estratégico dos negócios e participará da gestão geral da empresa.

Anúncio vem após Putin intervir em varejista alemã

O anúncio da nomeação de Schröder ocorreu quatro dias após Putin emitir um decreto colocando os ativos russos de outra grande varejista alemã, a Metro, sob administração temporária. Foi a mais recente de uma série de medidas contra empresas de países que apoiaram a Ucrânia na guerra contra a Rússia.

Segundo o jornal russo Kommersant, a nomeação de Schröder seria uma manobra da Hyperglobus para evitar o mesmo destino.

Outra rede francesa de supermercados, a Auchan, também teve recentemente seus bens congelados pelo Kremlin.

"Graças aos seus muitos anos de envolvimento na vida política, econômica e cultural da Rússia, ele será uma adição ideal ao conselho e nos ajudará a dar continuidade à nossa abordagem baseada no diálogo", afirmou o alemão Thomas Bruch, proprietário da Hyperglobus e ex-presidente da Globus, segundo o comunicado.

"É importante que empresários como Thomas Bruch e empresas como a Globus continuem mantendo relações econômicas e investindo na Rússia", afirmou Schröder no comunicado. "Isso é particularmente importante em uma área tão fundamental quanto garantir o abastecimento alimentar da população."

Defensor de laços energéticos mais estreitos

Enquanto chefiou o governo alemão, Schröder defendeu o estreitamento dos laços energéticos com a Rússia, algo que críticos afirmam ter tornado Berlim excessivamente dependente do petróleo e do gás russos.

Depois que deixou a política, Schröder ocupou cargos de destaque em empreendimentos como a petroleira estatal russa Rosneft e os projetos do gasoduto Nord Stream.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, a Alemanha retirou de Schröder o gabinete parlamentar e a equipe financiados pelos contribuintes, em meio à indignação pública com sua contínua atuação em negócios russos e sua recusa em condenar Putin.

Naquele mesmo ano, Schröder deixou o conselho de administração da Rosneft e abandonou os planos de integrar o conselho da Gazprom, após o Parlamento europeu ameaçá-lo com sanções.

No início deste ano, Putin afirmou que Schröder seria seu interlocutor preferido para negociações sobre novos arranjos de segurança para a Europa, uma ideia imediatamente rejeitada pela União Europeia.

O Kremlin informou em junho que Putin e Schröder haviam realizado uma reunião amistosa a portas fechadas, mas não forneceu detalhes.

ra/md (Reuters, ots)