Como a teoria falsa de que Lula morreu ameaça a democracia

Um a cada oito eleitores acredita que presidente foi substituído por sósia, segundo pesquisa

Teoria de que Lula foi substituído por sósia circula nas redes desde 2022
Foto: Redação DW
Teoria de que Lula foi substituído por sósia circula nas redes desde 2022

Desde 2022, circula na internet a teoria da conspiração de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria morrido, e um sósia dele estaria ocupando o cargo. A teoria é impulsionada por influenciadores nas redes sociais e, neste ano de eleições, voltou a viralizar com ajuda da inteligência artificial (IA).

Em agosto, uma pesquisa do Instituto Meio/Ideia indicou que um a cada oito eleitores (12,5%) acredita que Lula foi substituído por um clone ou sósia. Entre os que dizem que vão votar no senador Flávio Bolsonaro para presidente, a proporção sobe para um a cada cinco (20%).

A tecnologia vem sendo usada pra alterar imagens do presidente e colocar em xeque a identidade dele.

Uma foto, por exemplo, mostra Lula com cinco dedos na mão esquerda. O presidente perdeu o mindinho em 1964, num acidente quando era metalúrgico.

Agências checadoras já analisaram a imagem e diagnosticaram que ela foi editada e manipulada com IA. Outros registros do mesmo dia mostram, corretamente, Lula com quatro dedos na mão esquerda.

Lula já comentou o caso

Há outro vídeo que mostra Lula com dez dedos, mas foi publicado por petistas. Neste caso, o que aconteceu foi um efeito colateral inesperado de uma edição com ajuda de IA para fins estéticos. O erro acabou servindo para alimentar a teoria conspiratória.

O próprio presidente já chegou a rir publicamente do boato, que busca minar a confiança dos cidadãos na democracia brasileira.

Como outras teorias conspiratórias, o objetivo é fazer as pessoas acreditarem que estão sendo constantemente manipuladas por um sistema malicioso contra a população.

E que, portanto, não há motivo para confiar nas instituições criadas para garantir a ordem constitucional e o Estado democrático de direito no Brasil.

ht/md (ots)