Mudanças climáticas fazem louva-a-deus se espalhar pela Alemanha

Inseto, até então exótico no país, agora é visto com frequência e em diferentes regiões

Louva-a-deus fotografado em Falkenhagen, no estado alemão de Brandemburgo
Foto: Redação DW
Louva-a-deus fotografado em Falkenhagen, no estado alemão de Brandemburgo

Por muito tempo considerada uma espécie exótica na Alemanha, o louva-a-deus passou a se espalhar rapidamente pelo país, em um fenômeno associado às mudanças climáticas . Atualmente, o inseto é encontrado principalmente em duas regiões da Alemanha.

Neste verão europeu, um número incomum de louva-a-deus foi registrado no país. Desde o início de julho, mais de 17 mil avistamentos do inseto foram comunicados, informou a NABU, associação ambiental mais antiga da Alemanha e que conta atualmente com cerca de 980 mil membros e apoiadores. O número é o dobro do registrado em todo o ano passado. Até setembro, ainda deve ser possível obseervar o inseto com frequência.

A NABU mantém uma plataforma online na qual cidadãos podem registrar observações da espécie. Graças à aparência marcante do inseto, até mesmo pessoas sem formação especializada costumam identificá-lo corretamente: segundo a entidade, 99,9% das fotos enviadas mostram realmente um louva-a-deus.

Mudanças climáticas impulsionam expansão

Durante muito tempo, a espécie era encontrada principalmente na região de Kaiserstuhl, próxima à cidade de Freiburg, no extremo sudoeste da Alemanha. Hoje, ela também é frequente ao longo do rio Reno e seus afluentes, chegando até a região de Colônia .

Além disso, uma segunda população isolada está se expandindo numa área situada entre Berlim e a Turíngia .

Segundo o especialista da NABU Helge May, as temperaturas mais altas favorecem a espécie porque os ovos depositados pelas fêmeas precisam de calor para se desenvolver. "Neste caso, as mudanças climáticas são o fator decisivo", afirma.

Mais rápido que um piscar de olhos

O louva-a-deus é famoso por seu comportamento reprodutivo peculiar. Cerca de um terço dos machos morre logo após o acasalamento, devorado pela fêmea.

"O que parece macabro é compreensível em termos de preservação da espécie", explica a Nabu. "Os machos cumpriram seu dever e as fêmeas estão acumulando energia para a árdua tarefa de produção de ovos. No outono, as fêmeas também morrem; apenas as cápsulas de ovos, chamadas ootecas, sobrevivem ao inverno".

O inseto também é um caçador extremamente eficiente, podendo permanecer imóvel à espera da presa durante horas. Quando ataca, porém, é incrivelmente rápido: o movimento de captura dura entre 50 e 60 milissegundos, cerca de seis vezes mais rápido do que um piscar de olhos humano.

Apesar da aparência impressionante, a louva-a-deus não representa perigo para as pessoas. Sua expensão na Alemanha, porém, é um lembrete de como a ação do homem afeta a natureza.