Trump quer desestimular contratação de estrangeiros por Big Techs

EUA vão cobrar US$ 100 mil para vistos de alta qualificação

Trump quer desestimular contratação de estrangeiros por Big Techs
Foto: Reprodução/ Youtube - Casa Branca
Trump quer desestimular contratação de estrangeiros por Big Techs


Os Estados Unidos vão passar a exigir um pagamento anual de US$ 100 mil ( mais de R$ 530 mil, na cotação atual) para conceder vistos H-1B para profissionais altamente qualificados. O objetivo, segundo o governo Trumo, é estimular contratações de americanos em setores de grande valor agregado.

Segundo decreto assinado na sexta-feira (19) pelo presidente Donald Trump , o aumento das taxas que as empresas pagam para poder contratar estrangeiros com o visto H-1B busca "proteger os trabalhadores americanos" , ao garantir que as pessoas de outros países que forem contratadas tenham uma qualificação tão alta que impeça que sejam substituídas por qualquer cidadão do país.

"A ideia é que as grandes empresas tecnológicas e outras grandes companhias parem de capacitar trabalhadores estrangeiros" , disse o secretário de Comércio, Howard Lutnick, durante o ato para a assinatura do documento.

"Terão que pagar o salário integral ao empregado (além de US$ 100 mil ao ano pelo visto). Não é rentável. Se forem capacitar alguém, que seja um recém-graduado de uma das melhores universidades de nosso país. Que capacitem americanos. Chega de trazer estrangeiros para ocupar nossos empregos" , acrescentou Lutnick, que garantiu que "todas as grandes empresas estão de acordo" com essa nova política.

Trump criticou anteriormente o visto H-1B por considerar que, além de desincentivar a contratação de americanos, força um corte para baixo nas bases salariais.

O H-1B é um visto de não-imigrante que permite a empregadores dos EUA contratar temporariamente trabalhadores estrangeiros em ocupações especializadas e tem sido usado de forma recorrente em anos recentes por empresas do setor tecnológico, como, por exemplo, as controladas pelo bilionário Elon Musk , que no início do ano já havia se estranhado com o governo Trump e a base do presidente por discordar de planos para limitar o visto H-1B.

Segundo estimativas baseadas em dados do governo, acredita-se que cerca de 700 mil pessoas vivem atualmente nos Estados Unidos com este visto, a maioria delas procedente da Índia. Segundo dados do governo dos EUA, indianos foram 71% dos aprovados para o visto no ano passado, enquanto a China ficou em segundo lugar, com 11,7%.

Entre as empresas que mais fizeram uso do visto no ano passado estava a Amazon, seguida pela Tata, Microsoft, Meta, Apple e Google.

"Cartão dourado"

Paralelamente, Trump também assinou uma ordem executiva para criar um novo tipo de programa de residência para estrangeiros com grande poderio financeiro e que foi  chamado de "cartão dourado" (gold Card, em inglês).

"Este programa criará uma nova via para a obtenção de vistos, dirigida a estrangeiros com habilidades extraordinárias que estejam dispostos a contribuir para os Estados Unidos mediante o pagamento de US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) ao Tesouro americano ou US$ 2 milhões (R$ 10,3 milhões) se uma empresa patrocinar esse indivíduo'' , explicou Lutnick.

Isso "permitirá ter acesso a um trâmite de visto acelerado como parte deste novo programa do cartão dourado", acrescentou o secretário de Comércio, que alegou que os EUA costumavam receber imigrantes que se situavam profissionalmente "abaixo da média americana" .

"Só aceitaremos pessoas com habilidades excepcionais. Em vez de que venham tirar os empregos dos americanos, criarão empresas e gerarão empregos para eles. Este programa arrecadará mais de US$ 100 bilhões para o Tesouro dos Estados Unidos, dinheiro que utilizaremos para reduzir impostos e a dívida pública" , concluiu.

jps (EFE, ots)