(Arquivo) Jovem deposita flores em monumento improvisado na Escola Primária Robb, em Uvalde, Texas, em 28 de maio de 2022
CHANDAN KHANNA
(Arquivo) Jovem deposita flores em monumento improvisado na Escola Primária Robb, em Uvalde, Texas, em 28 de maio de 2022
CHANDAN KHANNA

Familiares das vítimas de um ataque a tiros em uma escola do Texas, onde morreram 19 alunos, duas professoras e o atirador, processaram a empresa matriz do Instagram, uma distribuidora de jogos eletrônicos e um fabricante de armas por considerá-los responsáveis pelos fatos.

A ação por "morte por negligência" foi apresentada nesta sexta-feira (24) pelo advogado das famílias, Josh Koskoff, quando completam dois anos do incidente em que um jovem, que mal havia atingido a maioridade, invadiu a escola primária Robb de Uvalde, no sul dos Estados Unidos, armado com um rifle de assalto.

Ele assassinou 19 crianças de entre 9 e 10 anos, e duas professoras de 44 e 48 anos, antes de ser abatido pelas forças de segurança, 77 minutos depois.

As empresas processadas são Meta, matriz da rede social Instagram; Activision, distribuidora de games como "Call of Duty"; e Daniel Defense, fabricante do rifle AR-15 utilizado pelo atirador.

"Existe um vínculo direto entre a conduta dessas empresas e o ataque a tiros em Uvalde [...] Este monstro de três cabeças expôs [o agressor] deliberadamente à arma, o condicionou a vê-la como uma ferramenta para resolver seus problemas e o treinou para usá-la", detalhou Koskoff.

De acordo com uma nota do escritório de Koskoff, o game "Call of Duty", do qual o atirador era usuário, "treina virtualmente para matar", "insensibiliza" e "recompensa" os jogadores. "Embora o assassinato seja virtual", as armas "imitam perfeitamente" as reais.

Além disso, a nota detalha que, "no Instagram, o atirador era cortejado através de um marketing explícito e agressivo", enquanto a Daniel Defense "utilizou o Instagram para enaltecer o uso ilegal e assassino de suas armas".

As ações contra Meta e Activision foram feitas em tribunais da Califórnia, enquanto a fabricante de armas foi processada em Uvalde, no Texas.

Através de um porta-voz, a companhia Activision disse à AFP que o ataque em Uvalde foi "horrendo e doloroso", mas "milhões de pessoas em todo o mundo desfrutam dos jogos eletrônicos sem recorrer a atos horríveis".

Por sua vez, Meta e Daniel Defense não estavam imediatamente disponíveis para responder.

No início desta semana, as famílias chegaram a um acordo de indenização de 2 milhões de dólares (cerca de R$ 10 milhões) com a cidade de Uvalde, como compensação pelo que o Departamento de Justiça chamou de "falhas críticas" da polícia da cidade ao responder à ocorrência. Koskoff já havia adiantado que processariam agentes do Texas que demoraram a reagir.

Os ataques a tiros em escolas se tornaram comuns em um país onde cerca de um terço dos adultos possui uma arma de fogo e os regulamentos para a compra, até mesmo de rifles potentes de estilo militar, são frouxos.

    AFP

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