Apoiador agita bandeira  eslovaca em frente ao hospital onde está o primeiro-ministro Robert Fico em 17 de meio de 2024
Ferenc ISZA
Apoiador agita bandeira eslovaca em frente ao hospital onde está o primeiro-ministro Robert Fico em 17 de meio de 2024
Ferenc ISZA

O prognóstico para o estado de saúde do chefe de Governo eslovaco, Robert Fico, após uma tentativa de assassinato, é "positivo", afirmou a ministra da Saúde neste sábado(18), enquanto um tribunal decidiu manter o suspeito do ataque em prisão preventiva.

Fico está internado desde quarta-feira, quando um homem atirou nele quatro vezes, uma delas no abdômen.

O primeiro-ministro, de 59 anos, foi submetido a uma operação de cinco horas na quarta-feira e a uma operação de duas horas na sexta-feira no hospital da cidade de Banska Bystrica, no centro do país.

"A cirurgia de ontem, que durou duas horas, contribuiu para um prognóstico positivo para a saúde do primeiro-ministro", disse a ministra Zuzana Dolinkova à imprensa.

"O estado de saúde do primeiro-ministro é estável, mas continua grave", acrescentou.

O homem, identificado pela imprensa eslovaca como o poeta Juraj Cintula, de 71 anos, atirou em Fico enquanto ele cumprimentava apoiadores após uma reunião de gabinete em Handlova, no centro da Eslováquia.

O tribunal criminal de Pezinok, a nordeste de Bratislava, decidiu neste sábado mantê-lo em prisão preventiva em confinamento solitário.

A prisão foi determinada devido ao "temor a uma possível fuga ou a continuidade da atividade criminosa", disse a porta-voz do tribunal, Katarina Kudjakova.

A decisão atendeu ao pedido do promotor que o acusou de tentativa de homicídio premeditado.

- "Ainda não chegamos lá" -

"Se o tiro tivesse atingido alguns centímetros acima, teria acertado o fígado do primeiro-ministro", disse o ministro do Interior, Matus Sutaj Estok, ao canal de notícias TA3 neste sábado.

O ministro da Defesa e vice-primeiro ministro, Robert Kalinak, o aliado político mais próximo de Fico, declarou que o líder está consciente.

"Não acredito que ele possa ser transferido para Bratislava nos próximos dias, pois seu estado ainda é grave", disse a jornalistas.

Pouco depois, Kalinak disse ao TA3 que Fico sofreu quatro ferimentos à bala, dois leves, um moderado e um grave.

Os médicos removeram todo o material potencialmente infeccioso de seus ferimentos durante a operação de sexta-feira, acrescentou.

"Vai demorar quatro ou cinco dias para o corpo começar sua recuperação dessas lesões, mas ainda não chegamos lá", disse Kalinak, que elogiou a boa forma do primeiro-ministro, corredor e fisiculturista.

Fico, que esteve à frente do governo entre 2006-2010 e 2012-2018, retornou ao cargo de primeiro-ministro desde que seu partido populista de centro, Smer-SD, venceu as eleições gerais do ano passado.

- "Todas essas mentiras" -

Fico conquistou este novo mandato depois de fazer campanha com propostas de paz entre a Rússia e a Ucrânia, vizinha da Eslováquia, e de prometer interromper a ajuda militar a Kiev, o que cumpriu.

A tentativa de assassinato chocou o país de 5,4 milhões de habitantes, membro da UE e da Otan, que há anos vive uma forte divisão política.

A presidente em final de mandato, a pró-Ocidente Zuzana Caputova, e seu sucessor, Peter Pellegrini, aliado de Fico que tomará posse em junho, convocaram uma reunião com os líderes dos partidos na terça-feira para demonstrar união.

No entanto, o vice-primeiro-ministro deu a entender neste sábado que o Smer-SD não participará. "Convidaram os líderes dos partidos políticos e o nosso presidente [do partido] está nas mãos dos médicos", declarou.

Kalinak indicou que telefonaria a Caputova, observando que a Eslováquia precisa de "reconciliação e paz".

Alguns políticos acusaram seus opositores pelo ataque.

Na sexta-feira, Kalinak criticou políticos da oposição e alguns meios de comunicação por chamarem Fico de criminoso, ditador ou servo do presidente russo, Vladimir Putin, antes do ataque.

"Todas estas mentiras são a principal razão pela qual Robert Fico luta hoje pela vida", declarou no site de seu partido.

    AFP

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