Fila de eleitores em Pulwama, na Caxemira
Tauseef Mustafa
Fila de eleitores em Pulwama, na Caxemira
Tauseef Mustafa

A quarta fase das eleições gerais indianas, que vão até 1º de junho, continuou nesta segunda-feira (13), principalmente no território da Caxemira indiana, de maioria muçulmana, onde os eleitores podem rejeitar o governo autoritário do primeiro-ministro Narendra Modi.

Cerca de 1 bilhão de indianos estão aptos a votar para eleger o novo governo, no maior processo democrático do mundo.

“Votei pela mudança de governo. É necessário que nossas crianças tenham um bom futuro", diz Habibullah Parray. "Em toda a Caxemira de hoje, os responsáveis vêm de outras partes, e todos querem que isso mude."

Fora de Srinagar, principal cidade da região, soldados faziam patrulhas. Alguns locais de votação eram vigiados por cerca de 20 paramilitares.

Modi se mantém popular em grande parte do país e espera-se que seu partido nacionalista hindu, o Bharatiya Janata Party (BJP), vença as eleições, cujos resultados serão anunciados em 4 de junho. No entanto, sua decisão em 2019 de revogar o status semiautônomo da Caxemira e colocá-la sob o domínio direto de Nova Délhi causou um ressentimento profundo entre muitos habitantes daquele território, que votam pela primeira vez desde então.

"O que falamos aos eleitores é que devem fazer com que sua voz seja ouvida", disse à AFP Omar Abdullah, ex-ministro-chefe do território, cujo partido, a Conferência Nacional, faz campanha para restaurar o status semiautônomo.

- Inaceitável -

"O ponto de vista que queremos que a população expresse é o de que o ocorrido é inaceitável", disse Abdullah.

A Caxemira é dividida entre a Índia e o Paquistão, que, desde a sua independência, em 1947, reivindica a soberania sobre todo esse território do Himalaia. Essa foi a causa de duas das três guerras entre os dois países desde então.

Grupos separatistas na Caxemira controlada pela Índia desde 1989 buscam a independência ou a fusão com o Paquistão. Porém, desde a revogação do status semiautônomo pelo governo Modi, a insurgência foi esmagada.

Durante a campanha eleitoral, Modi e seus ministros celebraram o fim do status especial da Caxemira, alegando que a revogação permitiu a "paz e o desenvolvimento".

Os confrontos entre as forças de segurança e os grupos rebeldes ficaram mais intensos desde 19 de abril, data do início das eleições gerais, divididas em sete fases e que prosseguem até 1º de junho.

E, pela primeira vez desde 1996, o BJP não apresenta nenhum candidato para as três vagas correspondentes ao Vale da Caxemira, ao mesmo tempo que pede aos eleitores que apoiem partidos novos ou pequenos que seguem a sua linha política na região.

- 'Referendo' -

"Para eles, esta eleição é uma espécie de referendo para expressar sua divergência", declarou à AFP Sidiq Wahid, historiador e analista político. "O BJP não apresenta nenhum candidato por uma razão muito simples: o partido perderia, apenas isso", acrescentou.

Para a população dessa região, esta é a oportunidade de expressar, por meio do voto, suas frustrações relacionadas com a forte presença militar indiana, com mais de meio milhão de soldados.

A Índia acusa o Paquistão de apoiar os separatistas, o que o Islamabad nega. A parte administrada pela Índia registrou mais de três décadas de distúrbios, com dezenas de milhares de mortos entre civis, soldados e insurgentes separatistas.

A taxa de participação nas eleições gerais até o momento é inferior à registrada em 2019. Analistas atribuem a queda a um "certo desinteresse" dos eleitores e à onda de calor que afeta o país.

    AFP

    Mais Recentes

      Comentários

      Clique aqui e deixe seu comentário!