Cachorro resgatado de enchentes descansa em um abrigo de animais no estacionamento de um shopping em Porto Alegre, em 11 de maio de 2024
NELSON ALMEIDA
Cachorro resgatado de enchentes descansa em um abrigo de animais no estacionamento de um shopping em Porto Alegre, em 11 de maio de 2024
Nelson ALMEIDA

Socorristas voluntários cujos trabalhos são essenciais para resgatar pessoas isoladas no inundado estado do Rio Grande do Sul enfrentam outro desafio: salvar os animais presos pelas águas.

O resgate do cavalo "Caramelo", que ficou dias sobre o telhado de uma construção alagada, comoveu o país, através de imagens que viralizaram nas redes sociais.

Na área do antigo Gasômetro de Porto Alegre, capital do estado, foi instalado um dos principais pontos de saída de barcos e desembarque de pessoas evacuadas. Muitos chegam com animais debaixo dos braços, enrolados em toalhas. Alguns deles são trazidos após dias na água e sem comida.

A maioria é procedente de Eldorado do Sul, cidade próxima que foi completamente devastada pelo transbordamento do rio Guaíba, parte da tragédia que já deixou mais de 130 mortos e mais de dois milhões de pessoas afetadas no estado.

A poucos metros de distância, uma estrutura de tendas aumenta a cada dia: um "hospital de campanha" para receber animais resgatados.

Cães, gatos, coelhos, galinhas, porcos e cavalos que chegam completamente sedados para serem transportados, são submetidos a um processo sistematizado de revisão, de cuidados com a saúde, alimentação e tirando fotos que serão publicadas na internet para tentar encontrar seus tutores.

"Temos testes rápidos. Se chegar com algum sintoma de doença infectocontagiosa, a gente separa eles e os trata nas clínicas e hospitais", explica a veterinária Cintia Dias da Costa, de 48 anos.

Os animais, encharcados, chegam a um ritmo de dezenas por hora nos braços de voluntários que frequentemente o envolvem em mantas térmicas.

- Muitos cachorros -

Neste "hospital de campanha", todos os voluntários são identificados por seus nomes e função em um esquema de primeiros socorros.

A maioria dos resgatados são cachorros. Caso seus tutores não aparecem em algumas horas, são transportados por pessoas que se voluntariam para levá-los a abrigos temporários. Se ainda assim não forem identificados, serão colocados para adoção, explica a coordenadora de eventos Cassia Hennig, de 26 anos.

"Quero contribuir de alguma forma e eu prefiro com os bichinhos, que são inocentes e não podem resolver sozinhos", diz Priscilla Correa, de 51 anos.

Ela e o marido, Mariano Scalco, de 43 anos, podem levar dois animais por vez em seu veículo SUV aos abrigos temporários.

Já cavalos são tratados por especialistas em equinos e transportados em caminhões, em muitos casos para universidades que oferecem instalações para mantê-los temporariamente, explica o veterinário Fernando González.

- A última etapa -

No sexto andar do estacionamento de um shopping a 10 minutos do Gasômetro, em direção ao centro de Porto Alegre, há toneladas de ração em sacos, recipientes de água, alguns remédios, e cerca de 200 cachorros aos quais foram atribuídos pequenos colchões, uma tigela de água e um comedouro.

Alguns brincam com seus cuidadores ocasionais, que conheceram há algumas horas. Outros parecem muito abatidos e exaustos depois de uma odisseia que, em alguns casos, durou dias até que pudessem ser retirados de suas casas ou resgatados da água.

Este local também é administrado por voluntários, como muitas das tarefas de resgate após as chuvas devastadoras no Rio Grande do Sul. O abrigo foi criado para "liberar o local onde os animais estão sendo resgatados", explica à AFP Fernanda Ellwanger de Lima, de 42 anos.

"A sensação e de estar fazendo algo para dar visibilidade à causa animal. Temos que entender que a vida dos animais tem valor. Nós temos que mostrar isso a sociedade", completa a funcionária pública.

    AFP

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