Rafael Grossi (E) posa para foto com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Hossein Amir Abdoulahian, durante reunião em Teerã, em 6 de maio de 2024
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Rafael Grossi (E) posa para foto com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Hossein Amir Abdoulahian, durante reunião em Teerã, em 6 de maio de 2024
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O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, se reuniu, nesta segunda-feira (6), com o chanceler israelense, Hossein Amir-Abdollahian, em Teerã, e disse ter proposto "medidas concretas" para "restabelecer a confiança" no programa nuclear iraniano.

Grossi viajou ao Irã à frente de uma delegação desta agência da ONU para participar de uma conferência sobre energia atômica e negociar "com altos funcionários políticos e encarregados do programa nuclear" de Teerã, reportaram as agências de notícias iranianas Mehr e Isna.

O diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, disse na semana passada que Grossi teria "reuniões" com altos funcionários iranianos, sem entrar em detalhes.

Na tarde desta segunda, Grossi se reuniu na capital iraniana com o ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian.

O encarregado da agência da ONU informou posteriormente em sua conta na rede X que tinha "proposto um conjunto de medidas práticas e concretas" que pretendem "restabelecer o processo de reforço da confiança" e "aumentar a transparência".

Esta é a primeira viagem ao Irã do encarregado da agência da ONU desde março de 2023, quando ele se reuniu com o presidente iraniano, Ebrahim Raissi.

A AIEA se encarrega de verificar o caráter pacífico do programa nuclear iraniano. No entanto, desde 2021 as inspeções têm diminuído, as câmeras de segurança foram desligadas e foi suspenso o credenciamento de um grupo de especialistas.

Em sua visita de dois dias ao país, Grossi seguirá na noite desta segunda para Ispahan, província no centro do Irã, para participar da conferência sobre energia nuclear e negociar com o diretor da Agência de Energia Atômica iraniana, Mohammad Eslami, acrescentou a Isna.

- Esperanças de cooperação -

A conferência começou nesta segunda e se estenderá até a quarta-feira nesta província, onde fica a usina de enriquecimento de urânio de Natanz.

Em um discurso durante a apresentação do evento, Eslami expressou a esperança de cooperação com a AIEA, o que - afirmou - está "no primeiro plano das políticas" de Teerã.

"Esperamos que a Agência possa desempenhar seu papel como uma instituição internacional independente à margem das pressões políticas", acrescentou.

Da mesma forma, afirmou que "o nível das inspeções realizadas pela AIEA" nas instalações nucleares iranianas era "superior ao de todos os demais países em toda a História".

Desde a última visita de Rafael Grossi, há mais de um ano, as relações entre as duas partes se deterioraram, com Teerã restringindo sua cooperação à medida que continua com sua escalada nuclear.

"Estamos certos de que as negociações [com Grossi] vão dissipar ainda mais a incerteza e poderemos reforçar nossa relação com a Agência", disse Eslami na quarta-feira.

A situação atual aumenta o temor, visto que Teerã dispõe de material suficiente para fabricar várias bombas atômicas.

O Irã, que diz não querer desenvolver uma arma atômica, é o "único país que não possui armas nucleares que enriquece urânio a 60% e acumula" grandes reservas, lembrou Grossi em março.

Este percentual se aproxima dos 90% necessários para fabricar uma bomba e está muito acima do limite máximo autorizado de 3,67%, o equivalente ao usado para gerar eletricidade.

O Irã abandonou gradativamente seus compromissos assumidos no acordo internacional de 2015, que buscou regular suas atividades nucleares em troca da suspensão das sanções internacionais.

O pacto caducou quando os Estados Unidos se retiraram do acordo em 2018, durante o governo do então presidente Donald Trump.

As negociações em Viena para revivê-lo fracassaram no verão boreal de 2022.

Após um ataque em represália contra o Irã, atribuído a Israel, em 19 de abril, o diretor da AIEA pediu às partes "uma grande contenção" em um contexto de escalada das tensões no Oriente Médio.

    AFP

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