
O pirarucu é o maior peixe de escama de água doce do Brasil, podendo ultrapassar dois metros de comprimento. Por causa do seu tamanho, ele sofreu com a pesca predatória por décadas, o que reduziu drasticamente sua presença nos lagos da Amazônia ao longo do século passado. Para mudar esse cenário, um modelo de manejo sustentável começou a ser colocado em prática em 1999 na região do médio Solimões.
O sistema funciona por meio da contagem anual dos peixes feita pelos próprios ribeirinhos, da definição de limites de captura baseados nesse censo e do respeito ao período de reprodução, com apoio técnico do Instituto Mamirauá e aprovação do Ibama.
A iniciativa trouxe resultados expressivos: a população de pirarucus nas áreas manejadas cresce cerca de 25% ao ano, e o tamanho médio dos peixes capturados aumentou de 1,27 metro em 1998 para 1,80 metro em 2022.
Hoje, já existem 12 áreas de produção organizada, transformando o peixe em uma fonte de renda previsível para as famílias locais por meio de um produto certificado e rastreável. Além disso, o projeto fornece alevinos para a criação da espécie em cativeiro em outras partes do país.
Embora o modelo enfrente desafios como a pesca ilegal, a fiscalização limitada e as mudanças no clima, ele prova que a união entre moradores, pesquisadores e órgãos ambientais consegue recuperar a espécie e garantir o sustento das comunidades.