
Um ciclone extratropical na costa do Sul do Brasil chamou a atenção de meteorologistas ao apresentar, em imagens de satélite, uma estrutura circular semelhante ao olho de um furacão. O sistema se formou sobre o oceano Atlântico, a leste do Rio Grande do Sul, e provocou ventos fortes em cidades gaúchas.
Segundo a MetSul Meteorologia, embora a formação de vórtices e espirais de nuvens seja comum em ciclones que atuam na região, a aparência semelhante a um olho é incomum nesse tipo de sistema.
Entre as rajadas registradas, o Chuí teve ventos de 76 km/h, enquanto Mostardas contabilizou 67 km/h e São Lourenço do Sul, 66 km/h. Em Porto Alegre, as rajadas chegaram a 57 km/h.
Apesar dos efeitos no continente, a maior parte da força do ciclone permaneceu sobre o oceano. Os ventos perderam intensidade gradualmente a partir da tarde, enquanto o sistema se deslocava para leste, em direção ao Atlântico.
Por que o ciclone formou um olho?
A aparência registrada nas imagens de satélite não significa que o ciclone extratropical tenha se transformado em um furacão. Os dois fenômenos apresentam características distintas, relacionadas às condições atmosféricas em que se formam e se desenvolvem.
Uma das hipóteses para explicar a estrutura é a chamada seclusão quente, processo em que uma região de ar relativamente quente fica isolada próximo ao centro de um ciclone extratropical, cercada por ar mais frio.
Essa configuração pode alterar a distribuição das nuvens e produzir uma área central com aparência semelhante à de um olho. A entrada de ar seco em níveis mais altos da atmosfera também pode contribuir para o aspecto observado.
Outra possibilidade é que o sistema tenha passado por uma transição para ciclone subtropical, adquirindo características intermediárias entre ciclones extratropicais e tropicais.
Diagramas de fase analisados pela Universidade da Flórida indicaram uma mudança na estrutura térmica do sistema, com características compatíveis com uma fase mais quente no centro. Essa configuração é uma das evidências consideradas na avaliação de uma possível transição subtropical .

Qual é a diferença entre ciclone extratropical, subtropical e furacão?
Os ciclones são sistemas atmosféricos caracterizados pela circulação de ventos em torno de uma região de baixa pressão . Apesar das semelhanças visuais, existem diferenças importantes entre suas classificações.
Os ciclones extratropicais estão associados principalmente a contrastes de temperatura entre massas de ar e costumam se desenvolver em latitudes médias, como no Sul do Brasil.
Os ciclones subtropicais apresentam características intermediárias e podem combinar elementos de sistemas extratropicais e tropicais, com uma estrutura térmica híbrida.
Já os furacões são ciclones tropicais intensos, geralmente formados sobre águas oceânicas quentes. Eles apresentam um núcleo quente e podem desenvolver um olho bem definido, cercado por uma região de nuvens e tempestades intensas.
Por isso, a presença de uma formação circular semelhante a um olho não é suficiente para classificar um sistema como furacão. A identificação depende de um conjunto de características meteorológicas, incluindo a estrutura térmica, a organização das tempestades e a dinâmica dos ventos.