Flávio Bolsonaro promete guerra às facções criminosas

Candidato do PL reforçou discurso de segurança pública em transmissão com Nikolas Ferreira e Guilherme Derrite na reta final da campanha presidencial

Flávio Bolsonaro (PL)
Foto: Reprodução / YouTube
Flávio Bolsonaro (PL)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) , candidato à presidência da República, prometeu endurecer o combate ao crime organizado a partir de janeiro de 2027, caso seja eleito. Durante uma transmissão ao vivo no YouTube na quinta-feira (15), ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e de Guilherme Derrite (PL-SP), Flávio afirmou que pretende declarar guerra às facções criminosas.

“A gente vai declarar guerra aos narcoterroristas a partir de janeiro do ano que vem”, declarou o senador.

A fala reforça a segurança pública como um dos principais eixos da campanha de Flávio no segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro. Na reta final da disputa, o candidato também busca conquistar eleitores indecisos.

A transmissão reuniu três nomes associados ao discurso de endurecimento no combate à criminalidade. Nikolas é uma das principais lideranças da direita nas redes sociais, enquanto Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, é ligado à pauta de segurança.

O que Flávio Bolsonaro propõe contra as facções

Flávio defende uma política mais rigorosa contra organizações criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) . A estratégia apresentada no discurso prevê tratar essas facções sob a classificação de organizações narcoterroristas.

A proposta busca ampliar a resposta do Estado ao crime organizado, mas a adoção de uma classificação jurídica específica e suas consequências dependeriam de medidas legais e da definição dos instrumentos que poderiam ser utilizados pelo governo.

A referência ao narcoterrorismo também aparece no debate sobre a participação de forças federais no enfrentamento às facções. No entanto, eventuais mudanças no enquadramento legal não significam autorização automática para o emprego das Forças Armadas em operações de segurança pública.

Flávio se aproxima de estratégia de Trump

O discurso de Flávio Bolsonaro também dialoga com a política de endurecimento contra o narcotráfico adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump . O governo americano passou a classificar cartéis de drogas e outras organizações criminosas como organizações terroristas, medida que amplia os instrumentos legais disponíveis para combatê-las.

A estratégia ganhou dimensão regional com o Escudo das Américas , iniciativa liderada por Washington para reunir governos aliados em torno do combate ao narcotráfico, às organizações criminosas e às ameaças à segurança no continente. A proposta prevê maior cooperação entre os países participantes, enquanto Trump defende uma atuação mais incisiva contra grupos criminosos, incluindo o uso de força militar em determinadas circunstâncias.

A política americana se aproxima do discurso de Flávio, que promete declarar guerra às facções brasileiras e defende uma resposta mais rigorosa do Estado. No entanto, a classificação de organizações como terroristas nos Estados Unidos não se estende automaticamente ao Brasil.  Uma eventual mudança no enquadramento jurídico de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) dependeria da legislação brasileira e de decisões das autoridades competentes.

A referência internacional reforça o espaço que o combate ao crime organizado ocupa na campanha do candidato do PL, especialmente na tentativa de atrair eleitores que consideram a segurança pública uma prioridade.

Endurecimento penal e a referência de El Salvador

O discurso do candidato segue uma linha de endurecimento penal que tem como uma de suas referências o modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que faz parte do Escudo das Américas de Trump .

O país da América Central ficou conhecido internacionalmente por operações de grande escala contra gangues, prisões em massa e medidas excepcionais de segurança. A política reduziu os índices oficiais de homicídios, mas também provocou críticas de organizações de direitos humanos por denúncias de detenções arbitrárias e violações de garantias individuais.

Flávio já demonstrou interesse na estratégia salvadorenha e defendeu medidas ainda mais rigorosas para enfrentar as facções brasileiras. Em declarações anteriores, chegou a afirmar que, no combate às organizações criminosas, “El Salvador é pouco”.

A referência indica que o senador pretende apresentar uma política de segurança baseada em maior rigor contra integrantes de grupos criminosos caso chegue à Presidência.


Segurança pública vira foco na reta final da eleição

A transmissão com Nikolas Ferreira e Guilherme Derrite também teve como objetivo ampliar o alcance da mensagem de Flávio entre eleitores que ainda não decidiram o voto para o segundo turno.

A segurança pública ocupa espaço central na disputa entre o candidato do PL e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) . Nesse contexto, o combate às facções criminosas é utilizado pela campanha de Flávio para defender uma mudança na estratégia federal de enfrentamento à violência.

Com a votação marcada para 25 de outubro, o candidato intensifica o discurso de endurecimento penal e busca transformar a segurança pública em um dos principais pontos de diferenciação em relação ao governo petista.