Peru proíbe cabelo comprido e maquiagem nas escolas públicas

Regras anunciadas por Keiko Fujimori também vetam esmaltes e celulares, preveem punições para indisciplina e retomam notas de conduta

Keiko Fujimori, presidente do Peru
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Keiko Fujimori, presidente do Peru

A presidente do Peru, Keiko Fujimori , anunciou novas regras de disciplina para as escolas públicas do país. As medidas proíbem meninos de usar cabelos compridos e estudantes de pintar os fios, usar maquiagem ou esmalte e utilizar celulares em situações vedadas pelas normas escolares. As diretrizes devem alcançar cerca de 6,7 milhões de alunos da rede pública.

O anúncio foi feito na segunda-feira (12), durante uma cerimônia em uma escola de Chaclacayo, nos arredores de Lima . Segundo Fujimori, a iniciativa busca reforçar a ordem nas salas de aula e estabelecer critérios de comportamento para os estudantes.

“Os garotos devem vir de cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem”, afirmou a presidente durante o evento. Ela também defendeu que a disciplina seja retomada no ambiente escolar.

As regras ainda passarão por um período de consulta pública de 15 dias, aberto por meio de uma resolução do Ministério da Educação . A data para a entrada definitiva em vigor das medidas não foi anunciada.

Quais são as novas regras para os estudantes?

As diretrizes apresentadas pelo governo peruano estabelecem restrições relacionadas à aparência e ao comportamento dos alunos nas instituições públicas de ensino.

Entre as principais medidas anunciadas estão:

  • Cabelos: meninos deverão usar cabelo curto, e cabelos tingidos ou considerados excessivamente longos serão proibidos.
  • Maquiagem e esmalte: estudantes não poderão usar maquiagem nem pintar as unhas.
  • Saias escolares: o governo pretende estabelecer critérios para o comprimento considerado adequado.
  • Celulares: o uso de aparelhos será restringido pelas novas regras de disciplina.
  • Conduta: o governo quer retomar as notas de comportamento, abolidas em 2019.

O ministro da Educação, José Antonio Chang, reforçou as restrições à aparência dos estudantes durante a cerimônia. Segundo ele, as regras buscam estabelecer padrões de apresentação pessoal no ambiente escolar.

Ainda será necessário detalhar como as proibições serão fiscalizadas e quais situações poderão resultar em sanções.

Alunos indisciplinados poderão ser expulsos?

O governo também anunciou punições para estudantes envolvidos em episódios de indisciplina, incluindo agressões físicas e uso indevido de celulares.

Segundo as informações divulgadas, alunos expulsos não ficarão necessariamente sem estudar. Eles deverão continuar a formação em um modelo que combina aulas virtuais com atendimento presencial.

Keiko Fujimori afirmou que as medidas pretendem estabelecer critérios mais rígidos de comportamento nas escolas. A presidente também defendeu a exclusão dos estudantes considerados mais indisciplinados das salas de aula convencionais.

Os detalhes sobre os procedimentos disciplinares e a aplicação das sanções deverão ser esclarecidos durante a regulamentação das medidas.

Como serão as notas de conduta?

Outro ponto do pacote é a retomada das notas de conduta, que foram abolidas em 2019. A proposta é voltar a avaliar o comportamento dos alunos como parte das regras de disciplina escolar.

Durante o anúncio, Fujimori defendeu a iniciativa como uma forma de estabelecer padrões que possam influenciar a formação dos estudantes ao longo da vida.

No entanto, a medida gerou questionamentos sobre a diferença entre avaliar o comportamento em sala de aula e impor restrições à aparência pessoal.

Quem será afetado pelas medidas?

As novas diretrizes foram anunciadas para a rede pública de ensino do Peru, que atende aproximadamente 6,7 milhões de estudantes. Segundo os dados divulgados pela reportagem da TMC, esse contingente representa cerca de 72% dos alunos da educação básica do país.

Já os cerca de 2,6 milhões de estudantes matriculados em instituições privadas continuarão sujeitos às regras estabelecidas por cada escola.

A implementação definitiva dependerá da conclusão do período de consulta pública e da divulgação das normas finais pelo Ministério da Educação .

Oposição critica proibição de maquiagem e cabelo comprido

As medidas foram criticadas pela senadora peruana Ruth Luque, opositora de Fujimori. Ela questionou a prioridade dada à aparência dos estudantes em vez de outros aspectos da educação.

“Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?”, questionou a parlamentar.

Luque afirmou que a autoridade dos professores é importante, mas argumentou que a disciplina não deve ser confundida com a imposição de padrões estéticos ou de estereótipos sobre como meninos e meninas devem se apresentar.

A crítica coloca em debate os limites das regras de comportamento nas escolas e o papel da aparência pessoal na avaliação dos estudantes.


Peru se aproxima de modelo adotado por Bukele

O anúncio ocorre em meio à aproximação política entre Keiko Fujimori e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, cuja visita ao Peru estava prevista para o fim de outubro.

Bukele adotou medidas rígidas de disciplina e apresentação pessoal nas escolas salvadorenhas. Desde agosto de 2025, o governo de El Salvador implementou regras sobre uniformes e cortes de cabelo, incluindo restrições a estilos como o moicano.

O presidente salvadorenho também defende mudanças no sistema educacional de seu país como parte de um projeto mais amplo de reorganização social.

A aproximação entre os dois governos ocorre enquanto El Salvador permanece sob regime de exceção, em vigor há cerca de quatro anos e meio. Adotada pelo governo de Bukele para combater gangues criminosas, a medida amplia os poderes das forças de segurança e permite a restrição temporária de algumas garantias constitucionais, mas é alvo de críticas de organizações de direitos humanos por denúncias de prisões arbitrárias e maus-tratos.

Entretanto, as novas regras peruanas ainda dependem da consulta pública e da regulamentação para que sua aplicação definitiva seja estabelecida.