Influenciadora é presa por suspeita de elo com máfia italiana

PF diz que Paula Simões assumiu remessas de cocaína após prisão do marido; investigação liga grupo a 4,6 toneladas enviadas para a Europa

 influenciadora digital Paula Simões Assisi
Foto: Reprodução
influenciadora digital Paula Simões Assisi

A influenciadora digital Paula Simões Assisi, de 34 anos, é investigada pela Polícia Federal sob suspeita de assumir parte das operações de tráfico internacional de cocaína ligadas à ‘Ndrangheta depois da prisão do marido, Patrick Assisi, em 2019.

Novos detalhes da investigação foram exibidos pelo Fantástico neste domingo (11). Segundo a apuração apresentada pelo programa, Paula teria passado a atuar ao lado do advogado Patrick Raasch Cardoso na organização de remessas da droga para a Europa.

Os dois foram presos em 17 de setembro, durante a Operação Eredità, conduzida pela PF com autoridades italianas. A investigação associa a estrutura criminosa a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína.

A defesa de Paula nega as acusações. Os advogados afirmam que nenhuma droga foi encontrada com ela e contestam a conclusão de que a influenciadora tenha assumido atividades criminosas depois da prisão do marido.

Bilhetes teriam mantido ordens após prisão

Patrick Assisi e o pai, Nicola Assisi, foram presos em julho de 2019, em Praia Grande (SP). Autoridades brasileiras e italianas apontam os dois como integrantes da ‘Ndrangheta, organização criminosa originária da Calábria, no sul da Itália.

A investigação sustenta que parentes e pessoas próximas deram continuidade às operações após as prisões.

O Fantástico mostrou bilhetes que teriam sido enviados por Patrick de dentro da prisão. Em uma das mensagens, segundo a reportagem, ele orientava Paula a cobrar valores de pessoas ligadas ao grupo.

A PF também encontrou diálogos sobre fornecedores, pagamentos e transporte de cocaína.

Em uma das conversas interceptadas, Paula teria negociado o envio de cerca de 400 quilos da droga para a Europa. Os investigadores afirmam que o diálogo tratava de valores e da logística para levar a carga até Paranaguá (PR).

O Porto de Paranaguá aparece como um dos pontos centrais da investigação. Segundo a polícia, integrantes do grupo usavam contêineres de empresas sem ligação com o crime para esconder cocaína destinada ao mercado europeu.

Grupo tinha mais de duas toneladas em estoque

Quando Patrick e Nicola Assisi foram presos, em 2019, o grupo ainda teria mais de duas toneladas de cocaína disponíveis no Brasil, segundo os investigadores.

Autoridades italianas sustentam que a rede manteve fornecedores, operadores financeiros e responsáveis pela logística mesmo depois da prisão dos dois.

Paula aparece em documentos da investigação sob os apelidos de “Chanel” e “Maria”, segundo informações publicadas na Itália.

Investigadores afirmam que algumas negociações só avançavam depois da autorização atribuída à influenciadora.

Nas redes sociais, Paula publicava conteúdos sobre moda, beleza e rotina pessoal. Ela tinha cerca de 30 mil seguidores quando foi presa.

Advogado é investigado por transmitir ordens

Patrick Raasch Cardoso também é apontado pela investigação como uma peça importante na reorganização do grupo.

Segundo a PF, ele teria usado o contato reservado que mantinha com presos para transmitir orientações e intermediar cobranças e pagamentos.

Imagens encontradas no celular do advogado mostrariam drogas e grandes quantias em dinheiro, segundo a reportagem do Fantástico.

A Polícia Federal também investiga possíveis contatos entre Cardoso e integrantes do Comando Vermelho.

A defesa do advogado afirma que ele sempre exerceu a profissão dentro dos limites legais ao longo de 25 anos de carreira. Os advogados pediram a revogação da prisão preventiva.

Investigação aponta ligação com facções brasileiras

Outro preso na operação é Franklin Rodrigues de Oliveira, conhecido como “BXX”.

Segundo os investigadores, ele atuava nas remessas de drogas e na movimentação de dinheiro e seria uma das ligações entre o grupo italiano e organizações criminosas brasileiras.

Um vídeo encontrado no celular de Franklin mostra mochilas e registros de entregas de dinheiro com datas e valores, segundo o Fantástico.

Ele tentou fugir durante a chegada dos policiais, mas foi localizado e preso em uma garagem.

Os advogados de Franklin informaram ao programa que não comentariam as acusações neste momento e disseram que pretendem demonstrar a inocência do cliente na Justiça.

Operação cumpriu mandados em dois estados

A Operação Eredità cumpriu sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão. Também houve ordens para sequestro de imóveis e bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras.

As medidas atingiram investigados em cidades de São Paulo e Santa Catarina.

A PF informou que a operação é resultado de investigações anteriores conduzidas no Brasil e na Itália. Os trabalhos conjuntos começaram após a identificação de uma estrutura voltada ao envio de cocaína da América do Sul para países europeus.

Os investigados podem responder, conforme a participação atribuída a cada um, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.