
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) começaram o segundo turno com estratégias diferentes no Instagram. Nas primeiras 48 horas depois da votação, o presidente publicou mais, insistiu em propostas e aumentou os ataques ao adversário. Flávio apareceu menos e dividiu a ofensiva com aliados, ao mesmo tempo em que buscou ampliar apoios e falar com eleitores fora da própria base.
Levantamento do iG nas publicações de segunda-feira (05) e terça-feira (06) encontrou 13 posts no perfil de Lula e seis no de Flávio. No caso do candidato do PL, metade das publicações exibidas no feed eram collabs aceitas de outros perfis.
A diferença ajuda a mostrar como cada campanha escolheu abrir a nova fase da eleição.
Lula colocou no próprio perfil vídeos sobre segurança pública, fim da escala 6x1, políticas sociais, desenvolvimento tecnológico e mobilização eleitoral. Também recuperou episódios do governo Jair Bolsonaro (PL) para atacar Flávio.
Em um dos conteúdos, afirmou que “bandido tem que ir para a cadeia” e defendeu a retomada de territórios dominados pelo crime. Em outro, falou em desenvolvimento científico, terras raras, minerais críticos e novas descobertas da Petrobras.
A escala 6x1 apareceu duas vezes.
Em um post, Lula colocou Flávio no centro do debate e afirmou que o adversário é contra a redução da jornada, algo que o candidato do PL fala abertamente. Depois, voltou ao tema para defender cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, sem corte no salário.
A discussão já havia chegado ao Senado e virou um dos primeiros embates do segundo turno. O iG mostrou que Flávio criticou a proposta e defendeu acordos individuais por hora trabalhada.
Lula mira Flávio pelo legado de Bolsonaro
Parte do conteúdo petista foi menos propositivo e mais eleitoral.

Em uma das peças, a campanha afirma que “Lula entrega política pública” e chama Flávio de “entregão”. Outra recupera imagens de pessoas em filas para receber ossos durante o governo Jair Bolsonaro.
Também houve uma animação em que o ex-presidente aparece associado a cortes em programas públicos. O objetivo da campanha é aproximar Flávio da gestão do pai e levar esse desgaste para o segundo turno.
O tom aparece ainda em publicações sobre armas e políticas sociais. Lula tenta apresentar a eleição como uma escolha entre a manutenção de programas e direitos e um eventual retorno de políticas adotadas durante o governo Bolsonaro.
Nem todos os posts, porém, partiram diretamente do perfil de Lula. Cinco das 13 publicações analisadas apareceram em colaboração com outros perfis, entre eles Geraldo Alckmin (PSB) e páginas ligadas a,o PT.
Flávio divide ataque com aliados
No perfil de Flávio, o arranjo foi diferente.
Das seis publicações identificadas no período, três foram feitas diretamente pelo candidato e três chegaram ao feed por meio de collabs.
As peças de maior confronto ficaram justamente entre as colaborações.
Uma delas comemora a derrota de Benedita da Silva (PT) na eleição para o Senado pelo Rio de Janeiro. O vídeo usa a expressão “Tchau, querida!” e transforma o resultado eleitoral da petista em provocação contra o partido.
Outra mira Alexandre de Moraes.
“O que aconteceu, Alexandre?”, diz a publicação ao repercutir a decisão que permitiu a progressão de regime de Débora Rodrigues dos Santos, a Débora do Batom.
A peça tenta vender a decisão como um recuo do ministro. Moraes, porém, autorizou o semiaberto depois do reconhecimento de dias de remição de pena por trabalho, leitura e aprovação no Enem.
A terceira collab segue uma linha menos agressiva. Mostra Ronaldo Caiado (PSD) declarando apoio a Flávio no segundo turno.
O apoio foi oficializado nesta terça-feira em Goiânia. Caiado havia feito críticas duras a Flávio durante o primeiro turno, mas passou a defender a candidatura do PL depois da votação.
A ampliação das alianças já era prioridade da campanha. Na segunda-feira, Flávio passou o dia em Brasília reunido com aliados e discutindo apoios, estratégia para o Nordeste e os próximos passos até a votação final.
Nordeste entra no foco
Nos posts publicados diretamente por Flávio, o candidato buscou menos confronto e mais mobilização.
Um card reforçou o número 22. Outro destacou a vitória sobre Lula em Aparecida (SP), explorando o peso simbólico da cidade entre eleitores católicos.
A publicação mais voltada à conquista de novos votos, porém, foi dirigida ao Nordeste.
No vídeo, Flávio afirma que “ninguém vai tocar no Bolsa Família”, diz saber que os beneficiários precisam do programa e promete buscar caminhos para que essas pessoas consigam emprego com carteira assinada sem perder imediatamente o auxílio.
Ele também fala em ajudar quem quiser abrir o próprio negócio.
A legenda do post acusa adversários de espalharem informação falsa, mas o conteúdo vai além da defesa. Flávio tenta reduzir uma das resistências centrais à candidatura e se aproximar de eleitores de baixa renda, sobretudo no Nordeste.
É um contraste com as collabs mais agressivas que apareceram no mesmo perfil.