
Um cardume de peixes de uma espécie ameaçada de extinção foi flagrado em uma praia do Nordeste do país, em Alagoas. O caso foi registrado durante um mergulho científico feito por pesquisadores do Projeto Meros do Brasil (PMB) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Os animais são da espécie de peixe mero, de grande porte , que é considerada criticamente ameaçada de extinção. Eles foram flagrados pela primeira vez e o grupo contava com cerca de 15 peixes adultos.
A espécie também é conhecida como bodete, canapú, badejão, merote ou senhor das pedras.
De acordo com os pesquisadores, os cerca de 15 meros adultos de grande porte foram localizados em uma área a 35 metros de profundidade. Além disso, os peixes mediam entre 1,6 e 2,3 metros de comprimento.
Os cientistas também informaram que estavam estudando a espécie em Alagoas há cerca de seis anos. Existem poucos registros de peixes mero na Região Nordeste. A espécie é mais comum de ser encontrada no Sul, nos estados de Santa Catarina e Paraná.
A área em que o cardume foi encontrado não está protegida por nenhuma unidade de conservação, o que, segundo os pesquisadores, é preocupante.
Durante o mergulho, além dos meros, os cientistas também registraram redes fantasmas e outros materiais de pesca.
Em momentos da alimentação dos peixes e também durante o período de reprodução deles, os meros ficam ainda mais vulneráveis à pesca ilegal e a outros impactos humanos. Os momentos são considerados sensíveis no ciclo de vida da espécie.
Peixe Mero
O peixe mero, espécie também pode ser chamado de bodete, canapú, badejão, merote ou senhor das pedras. Ele foi descrito pela primeira vez em 1822 a partir de um exemplar coletado no Brasil.
A espécie costuma viver em águas marinhas e, no Brasil, é mais comum de ser encontrada na Região Sul do país, nos estados de Santa Catarina e do Paraná.
Na fase adulta, o animal pode alcançar cerca de 2,5 metros de comprimento e pesar mais de 400 quilos. Apesar do grande porte, eles são considerados dóceis, mansos e curiosos por se aproximarem de mergulhadores com frequência.
Por outro lado, essa postura receptiva torna os peixes mero um alvo fácil para pescadores.
De acordo com cientistas, o peixe mero tem um diferencial das outras espécies: este peixe nasce fêmea e, após a primeira reprodução, entre 6 e 8 anos, algumas se transformam em machos para garantir a continuidade da espécie.