Soberania, Irã e guerras: o que esperar da Assembleia da ONU

Encontro reúne 193 países em Nova York e terá conflitos no Oriente Médio, guerra na Ucrânia e tensões diplomáticas entre os principais temas

Assembleia Geral da ONU, em Nova York
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Assembleia Geral da ONU, em Nova York

A 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começa nesta terça-feira (22), em Nova York, nos Estados Unidos , reunindo representantes dos 193 países-membros . O tradicional Debate Geral ocorre até 28 de setembro e terá como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. 

A abertura segue uma tradição mantida desde 1955 com o Brasil sendo o primeiro país a discursar , seguido pelos Estados Unidos, país anfitrião. Neste ano, os pronunciamentos devem colocar em evidência questões como soberania nacional, conflitos armados, a guerra entre EUA e Irã , a situação em Gaza , a guerra na Ucrânia  e o papel das instituições multilaterais.

O que esperar do discurso brasileiro

O discurso brasileiro deve dar destaque ao princípio da soberania e à defesa do multilateralismo. Entre os assuntos previstos estão a necessidade de respeito às instituições democráticas, a cooperação internacional e a posição do país diante de possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, a fala do presidente Lula também deve abordar o combate ao crime organizado e defender que a questão seja tratada por meio de cooperação entre os países, sem interferência externa.

Outro tema tradicional da diplomacia brasileira que deve aparecer é a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU . O Brasil reivindica há anos uma ampliação da representação do órgão, que atualmente tem 15 integrantes, cinco deles permanentes (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido) e com poder de veto.

A participação brasileira também tem peso simbólico, já que desde 1955, o país abre o Debate Geral da Assembleia, antes do representante da nação anfitriã.

Guerra entre Estados Unidos e Irã deve dominar debates

Um dos principais assuntos da Assembleia será o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã . A guerra deve aparecer entre os temas centrais das discussões durante a semana de alto nível da ONU.

O presidente americano, Donald Trump, deve abordar o conflito em seu discurso, com destaque para a questão nuclear iraniana. Segundo a cobertura internacional sobre o encontro, a posição americana deve enfatizar a necessidade de impedir que Teerã desenvolva armas nucleares.

A presença do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também coloca o conflito no centro da programação. A participação presencial permite que o governo de Teerã apresente sua própria posição diante dos demais países.

Além do confronto entre Washington e Teerã, a situação no Oriente Médio deve incluir a guerra em Gaza e as discussões sobre a atuação internacional para tentar conter os conflitos.

Ucrânia, Gaza e outras guerras

A Assembleia ocorre em um cenário marcado por vários conflitos simultâneos. Além do Oriente Médio e da guerra entre Rússia e Ucrânia, a agenda internacional inclui crises no Sudão, no Congo e em Mianmar .

A reunião também deve servir como espaço para cobranças por soluções diplomáticas e pela proteção de civis. A própria presidência da 81ª sessão estabeleceu entre suas prioridades a busca por soluções políticas para conflitos, o fortalecimento da paz e a proteção da população civil.

Confiança e transformação estão no centro da agenda

O tema escolhido para a 81ª sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

A proposta foi definida pelo presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, de Bangladesh . Entre as prioridades apresentadas para a sessão estão paz e segurança, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e o fortalecimento da cooperação multilateral .

A escolha ocorre em um momento de críticas à capacidade das instituições internacionais de responder a conflitos e crises globais. A presidência da Assembleia afirma que a recuperação da confiança no sistema multilateral é uma das principais tarefas do período.

Quem participa da Assembleia Geral?

A Assembleia Geral é o principal órgão de formulação de políticas da ONU e reúne os 193 Estados-membros da organização. Diferentemente do Conselho de Segurança, no qual cinco países possuem assentos permanentes e poder de veto, na Assembleia cada Estado-membro tem direito a um voto.

Durante o Debate Geral, chefes de Estado e de governo apresentam suas prioridades e posições sobre os principais problemas internacionais. Quase 130 líderes devem participar presencialmente da semana de alto nível deste ano.

A programação também inclui discussões sobre mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, inteligência artificial, saúde, segurança internacional e pobreza. A ONU prevê atividades de alto nível até 28 de setembro .


Um dos últimos encontros de Guterres

A Assembleia de 2026 também marca um momento de transição na liderança da ONU. António Guterres está em seu último período como secretário-geral da organização, tornando a sucessão outro assunto de interesse durante a semana de encontros em Nova York .

A reuniã ocorre em meio a uma combinação de crises militares, disputas diplomáticas e discussões sobre o futuro do sistema internacional. Ao longo dos próximos dias, os discursos dos líderes devem apresentar diferentes posições sobre como a ONU pode atuar diante desse cenário.