Laudo descarta perturbação mental de diarista que matou casal

Perícia do IML foi realizada após a Justiça questionar a condição mental de Paola Stefany, acusada de matar casal de idosos em Belo Horizonte

Imagem mostra diarista chegando ao prédio onde morava o casal de idosos
Foto: Reprodução
Imagem mostra diarista chegando ao prédio onde morava o casal de idosos

Um laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que Paola Stefany Neto Cirino não apresentava perturbação mental no momento em que um casal de idosos foi morto em Belo Horizonte . A informação foi divulgada pelo UOL nesta quinta-feira (17), com confirmação do advogado da diarista, Bruno Correa Lemos. O exame foi realizado em 14 de setembro.

Paola é acusada de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul da capital mineira. As vítimas foram encontradas mortas em 30 de junho.

A perícia foi determinada pela Justiça depois que surgiram dúvidas sobre as condições psíquicas da acusada. Durante o processo, Paola teria afirmado que sofreu um “surto psicótico” no momento do crime. Também foram considerados relatos sobre seu histórico de instabilidade emocional e atendimentos psiquiátricos.

O que concluiu o laudo

Segundo as informações divulgadas sobre a perícia, os especialistas não identificaram perturbação mental que comprometesse as capacidades da acusada na ocasião do crime. O documento informou que os peritos concluíram que Paola não apresentava doença mental, perturbação da saúde ou desenvolvimento mental incompleto no período analisado.

O exame foi feito no IML em 14 de setembro, após determinação da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte . A Justiça havia solicitado que os peritos recebessem documentos e informações que constavam no processo para auxiliar na avaliação.

A defesa ainda avalia quais medidas pretende tomar. Segundo Bruno Correa Lemos, advogado de Paola, a intenção é aguardar uma avaliação de um médico particular antes de decidir se será solicitado um novo laudo ou adotada outra medida no processo.

Por que a Justiça pediu o exame?

Em agosto, a Justiça determinou que Paola fosse submetida a uma avaliação psiquiátrica porque havia dúvidas sobre sua condição mental. A decisão levou em consideração, entre outros elementos, a afirmação atribuída à acusada de que teria cometido o crime durante um “surto psicótico”.

Também foram considerados depoimentos que apontavam histórico de instabilidade emocional, atendimentos psiquiátricos de urgência e no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), além do uso contínuo de medicamentos controlados.

Na ocasião, a defesa afirmou que o exame seria importante para esclarecer as condições psíquicas da acusada, especialmente sua capacidade de compreender o caráter dos fatos.

Com a determinação do exame, o andamento do processo criminal em relação a Paola havia sido suspenso, conforme previsto no Código de Processo Penal para situações em que existe dúvida sobre a condição mental do acusado.

Relembre o caso 

Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde foram encontrados mortos no apartamento onde viviam, no bairro São Pedro, em 30 de junho. O filho do casal procurou os pais depois de não conseguir contato com eles.

A investigação apontou que não havia sinais de arrombamento no imóvel. No entanto, uma gaveta onde eram guardadas semijoias estava violada, e familiares relataram o desaparecimento de objetos, incluindo celulares e uma bolsa de grife.

Imagens de câmeras de segurança registraram a entrada e a saída de Paola do prédio. Segundo a investigação, ela chegou ao condomínio pela manhã e deixou o local à tarde, usando roupas diferentes das que vestia ao entrar.

A polícia também encontrou uma peça de roupa com manchas de sangue em uma caçamba de lixo, material que foi encaminhado para perícia.

Segundo as investigações, Paola confessou informalmente o crime e afirmou que havia vendido objetos retirados do apartamento. Parte dos bens foi recuperada posteriormente pela Polícia Civil.


Acusada está presa preventivamente

Paola está presa preventivamente e responde por latrocínio, crime que combina roubo e morte. A Justiça já havia negado um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

Em decisão anterior, o desembargador Valladares do Lago apontou a gravidade concreta do caso como um dos fundamentos para manter a prisão. Conforme citado na decisão, a perícia apontou 43 lesões perfurocortantes em Cláudio e 15 em Maria Clotilde, além de queimaduras na face, no tórax e nos membros das vítimas.

O novo laudo passa a integrar o processo e poderá ser considerado nas próximas etapas da ação penal. A defesa ainda poderá avaliar a produção de uma nova avaliação médica antes de definir seus próximos passos.