
O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp , na cidade de Campinas, em São Paulo, celebra nesta quinta-feira (17) uma marca histórica: 10 mil transplantes de órgãos e tecidos realizados desde o início do serviço, em 1984.
A marca foi alcançada no ano passado, com um transplante de rim em uma paciente de 67 anos, que fazia diálise desde 2023. Ela será homenageada durante uma cerimônia realizada no hospital nesta quinta-feira, dentro da programação do Setembro Verde, campanha que reforça a importância da doação de órgãos.
Desde o primeiro procedimento, o HC se tornou uma referência na área e já ultrapassou a marca de 10,5 mil transplantes.
Rim lidera número de procedimentos
Os transplantes renais são os mais realizados pelo hospital. Até o fim de 2025, foram 3.704 procedimentos, segundo dados divulgados pelo HC.
Na sequência aparecem os transplantes de córnea, medula óssea, fígado e coração.
Confira os números:
- Rim: 3.704 transplantes;
- Córnea: 3.323;
- Medula óssea: 1.822;
- Fígado: 1.242;
- Coração: 113.
Os transplantes de ossos e cartilagens começaram no HC mais recentemente, em 2024, principalmente para tratamentos relacionados a doenças oncológicas.
A unidade não realiza transplantes de intestino, válvulas cardíacas, pele e pulmões.
Primeiro transplante ocorreu em 1984
A história dos transplantes ligados à Unicamp começou em 1984, com um procedimento renal realizado na Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Naquele momento, os serviços ainda não haviam sido transferidos para o atual prédio do HC, no campus da universidade.
Ao longo de mais de quatro décadas, o hospital também passou a atuar na formação de profissionais especializados e no desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos transplantes.
Segundo a instituição, o HC está entre os centros que mais realizam esse tipo de procedimento no país e é um dos dez hospitais do Estado de São Paulo com atuação na área.
2017 foi o ano com mais transplantes
O maior número anual de transplantes registrado pelo HC ocorreu em 2017, quando foram realizados 485 procedimentos.
Dois anos depois, em 2019, o hospital chegou a 395 transplantes.
Em 2023, o serviço de transplante renal recebeu certificação nível A, a mais alta do Programa de Qualidade no Processo de Doação e Transplantes do Ministério da Saúde.
Como funciona a doação de órgãos
A captação de órgãos começa após a confirmação de morte encefálica. A Organização de Procura de Órgãos (OPO) é comunicada e uma equipe especializada conversa com os familiares sobre a possibilidade de doação.
Com a autorização da família, são realizados exames para verificar quais órgãos e tecidos podem ser aproveitados.
A distribuição é feita pela Central de Transplantes de São Paulo, seguindo critérios como compatibilidade, posição na lista de espera e o tempo que cada órgão pode permanecer fora do corpo.
Um mesmo doador também pode beneficiar diferentes pacientes. Isso ocorre porque os órgãos e tecidos podem ser destinados a equipes e hospitais distintos, conforme as condições clínicas e os critérios estabelecidos pelo sistema de transplantes.
Tempo de preservação varia conforme o órgão
Depois da retirada, cada órgão possui um período diferente de viabilidade para o transplante.
Coração e pulmões, por exemplo, geralmente precisam ser transplantados em poucas horas, enquanto os rins podem permanecer viáveis por até 48 horas, dependendo das condições de preservação.
No caso das córneas, o período pode chegar a aproximadamente sete dias. Já os ossos podem ser armazenados por períodos muito maiores, chegando a até cinco anos em condições adequadas.