
Ao menos quatro pessoas passaram a ser investigadas pelo desabamento de um edifício que deixou seis mortos no bairro da Penha, na Zona Leste de São Paulo. Eles são investigados por condutas e omissões que podem configurar homicídio com dolo eventual.
Um dos suspeitos, apontado como sócio oculto da construtora responsável pelo prédio, já está preso temporariamente.
As causas do colapso estão sendo investigadas pela Polícia Civil. Entre os investigados, estão funcionária pública, o responsável técnico da obra, que é filho do homem preso, e uma sócia das empresas.
Os dois últimos também tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias e estão foragidos após não se apresentarem espontaneamente. Segundo a polícia, eles apresentam risco de destruição de provas.
Por outro lado, a funcionária pública já prestou depoimento. Ela atestou a demolição da estrutura antiga do imóvel e é investigada por possíveis irregularidades no processo de liberação.
A delegada responsável pela investigação ainda afirmou que todos os tomadores de decisão, desde o início da obra, devem ser responsabilizados.
A polícia identificou ao menos três empresas ligadas à obra e pediu os documentos necessários para cruzar com as informações fornecidas pela Prefeitura de São Paulo e pela Controladoria-Geral do Município.
Além do colapso da construção, a Polícia Civil abriu outros quatro inquéritos para apurar possíveis golpes na venda de apartamentos e terrenos ligados aos mesmos empresários.
Mais de dez vítimas relataram prejuízos financeiros, e o proprietário do terreno original afirmou não ter recebido o pagamento pela negociação do imóvel. Ele também será intimado a depor.
O colapso
Seis pessoas morreram após um prédio em construção desabar no bairro da Penha, na Zona Leste de São Paulo. As vítimas fatais são três mulheres, dois homens e uma criança. Uma das mulheres ainda estava grávida.
O edifício tinha 12 andares e desabou por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici, atingindo uma residência vizinha. Outras duas pessoas foram retiradas dos escombros com vida.
As operações de resgate duraram praticamente todo o fim de semana. Cerca de 100 profissionais atuaram na ocorrência, entre militares e civis. O grupo reuniu aproximadamente 30 bombeiros, além de policiais militares, guardas civis metropolitanos, equipes da Defesa Civil e funcionários da Subprefeitura da Penha.
No início dos trabalhos, os bombeiros concentraram as buscas principalmente nos quartos da residência. Como o desabamento ocorreu por volta das 2h, a suspeita era de que os moradores estivessem dormindo naquele momento do incidente.
Obra tinha histórico de irregularidades
A construção havia sido alvo de fiscalizações da Prefeitura de São Paulo desde 2019, quando o município identificou que a obra era realizada sem alvará.
Segundo a administração municipal, foram aplicadas multas e determinada a interdição do local. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça para interromper a construção.
Um novo projeto foi apresentado em 2022. Em agosto de 2023, a prefeitura emitiu um alvará para a execução da nova obra, condicionado à demolição da estrutura que já existia no terreno.
Em fevereiro de 2024, uma vistoria realizada pela Subprefeitura da Penha registrou que a demolição havia sido concluída. Após o desabamento, porém, técnicos da prefeitura passaram a investigar se a estrutura anterior havia sido efetivamente demolida.
A Controladoria-Geral do Município abriu uma apuração sobre o caso. A servidora responsável pelo documento que atestou a demolição foi afastada por 30 dias enquanto o procedimento é realizado.