Quem é o bicheiro ligado a Vorcaro

Manoel Mendes Rodrigues é investigado pela Polícia Federal e acumula ao menos dez registros policiais no Rio de Janeiro desde 2008

Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo Dom
Foto: Reprodução + Divulgação/SAP
Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo Dom

Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo Dom, entrou no radar da Polícia Federal como uma das figuras ligadas à chamada “Turma”, grupo investigado por atuar em ações clandestinas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro , fundador do Banco Master . Segundo a PF, ele seria responsável pelo braço armado da estrutura.

Mensagens analisadas pelos investigadores e reveladas pelo UOL mostram que Manolo teria se oferecido para procurar integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo para tentar garantir proteção a Vorcaro enquanto ele estava preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, em novembro de 2025.

No entanto, o conteúdo das conversas indica uma tentativa de acionar contatos da facção. O material divulgado não comprova, isoladamente, que o apoio tenha sido efetivamente concedido pelo PCC.

Quem é Manolo Dom

Manolo Dom é apontado pela PF como líder do braço armado da “Turma”. De acordo com a investigação, ele se apresentava como “empresário do jogo do bicho” e comandaria uma estrutura com homens armados, fuzis, veículos blindados e outros equipamentos.

A PF afirma que o grupo teria sido colocado à disposição de interesses ligados à família Vorcaro e poderia atuar em ações de proteção, ameaças e retaliações contra pessoas que contrariassem os interesses investigados.

Manolo está preso e é investigado por supostamente organizar ações violentas relacionadas a esse grupo. As acusações fazem parte de uma investigação policial e não representam, por si só, uma condenação definitiva.

Dez registros policiais desde 2008

O histórico de Manolo inclui pelo menos dez registros de ocorrência no Rio de Janeiro desde 2008. Conforme levantamento divulgado pelo UOL, ele esteve sob suspeita em ocorrências envolvendo furto qualificado, estelionato, uso de documento falso, ameaça, vias de fato, lesão corporal, calúnia e injúria.

A maior parte dos registros ocorreu na região de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro .

Em 2012, Manolo foi condenado a um ano e nove meses de prisão, em regime aberto, por associação criminosa.

Quatro anos depois, em 2016, ele tentou disputar uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo então PMN, atualmente Mobiliza. A candidatura, no entanto, foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) com base na Lei da Ficha Limpa.

Relação com o jogo do bicho

Um dos primeiros episódios que aproximaram Manolo da contravenção no Rio ocorreu em dezembro de 2010.

Na ocasião, ele foi preso junto com outros quatro homens durante uma operação envolvendo máquinas caça-níqueis. Segundo o registro, o grupo carregava equipamentos de um caminhão para um galpão na região da Cidade Nova, no centro do Rio.

Na época, a defesa afirmou que Manolo trabalhava como chapeiro, era primário e tinha “conduta social imaculada”. Ele foi solto cinco dias depois.

Em 2011, já morando no Recreio dos Bandeirantes, Manolo declarou à Polícia Civil que havia sido chamado para realizar o serviço e receberia R$ 150.

O caso acabou chegando ao Ministério Público Federal porque parte das máquinas apreendidas tinha componentes importados sem documentação fiscal. O inquérito foi posteriormente arquivado, segundo o UOL.

O que Manolo teria feito para ajudar Vorcaro

As mensagens analisadas pela PF são de novembro de 2025, quando Vorcaro estava preso no CDP de Guarulhos .

Manolo teria dito a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que poderia viajar a São Paulo para procurar um contato ligado ao PCC. A intenção seria fazer chegar aos presos a informação de que Vorcaro era um “amigo” e deveria receber assistência.

Depois da conversa, Sicário preparou uma mensagem destinada à chamada “Sintonia Tiradentes”, estrutura que, segundo a apuração do UOL, estaria relacionada a integrantes do PCC na zona leste de São Paulo .

O texto apresentava Vorcaro como alguém próximo ao grupo e pedia apoio ao ex-banqueiro dentro da prisão.

Manolo também encaminhou a mensagem a um advogado. De acordo com o relatório da PF citado pelo UOL, ele transferiu R$ 10 mil ao profissional no período em que a articulação era discutida.

No mesmo período, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus a Vorcaro, que deixou a prisão. O relatório não concluiu se o contato com integrantes do PCC chegou efetivamente a acontecer.

Quem era Sicário

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, é apontado pela PF como uma das principais figuras da “Turma” e responsável por funções de coordenação dentro da estrutura investigada.

Luiz Phillipe, o 'sicário' de Vorcaro
Foto: Reprodução
Luiz Phillipe, o 'sicário' de Vorcaro


Foi ele quem redigiu a mensagem que seria encaminhada à chamada “Sintonia Tiradentes” para pedir proteção a Vorcaro.

Sicário foi preso preventivamente pela PF e morreu posteriormente. Manolo, por sua vez, permanece no centro das investigações sobre o braço armado da organização.

O que a PF investiga

A investigação busca esclarecer a atuação da chamada “Turma” e suas relações com pessoas ligadas a Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, o grupo teria sido usado para atividades como monitoramento, levantamento de informações, ameaças e outras ações clandestinas.

No caso específico das mensagens envolvendo o PCC, os documentos apontam para uma tentativa de buscar proteção para Vorcaro dentro do sistema prisional. Contudo, a existência das conversas não demonstra sozinha que o PCC tenha efetivamente prestado essa proteção.


A defesa de Manolo foi procurada pelo UOL, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem. Caso haja manifestação, a informação poderá ser atualizada.