
O ex-motorista e socorrista Luca Spada, de 28 anos, está preso na Itália sob suspeita de envolvimento em uma sequência de mortes de pacientes idosos transportados em ambulâncias da Cruz Vermelha. A investigação da Promotoria da cidade de Forlì apura seis casos ocorridos em 2025 e trabalha com a hipótese de que as vítimas tenham recebido injeções de ar diretamente na corrente sanguínea, provocando embolias fatais.

O italiano natural da cidade de Meldola nega todas as acusações. Por enquanto, apenas uma das mortes suspeitas que recaem sob Luca Spada chegou à fase de julgamento. Trata-se de Deanna Mambelli, de 85 anos, que morreu em 25 de novembro do ano passado durante um transporte considerado secundário, ou seja, sem caráter de emergência. A idosa havia deixado o hospital de Forlì a caminho de uma unidade de reabilitação quando sofreu uma parada cardiorrespiratória. Naquele dia, apenas Spada estava no compartimento traseiro da ambulância, acompanhando a paciente.
A autópsia encontrou um material compatível com a entrada de ar no sistema venoso imediatamente antes da morte. As peritas nomeadas pela Promotoria concluíram que uma quantidade capaz de causar embolia poderia ser introduzida através do cateter periférico instalado no braço de Deanna. Segundo as especialistas, o procedimento levaria menos de um minuto, variando conforme o tamanho da seringa.
Outras cinco mortes continuam em investigação
Após uma série de diligências da polícia italiana, o caso de Deanna finalmente levou Spada à prisão em 11 de abril deste ano. Os investigadores, porém, já examinavam uma concentração considerada anormal de mortes durante ou pouco depois de viagens feitas com o motorista a bordo da ambulância. Os outros pacientes com falecimentos suspeitos são Mirella Montanari, Francesco Mario Scavone, Edoarda Gasperini, Vincenzo Pesci e Vittorio Benini.
A polícia chegou a instalar câmeras e equipamentos de gravação em uma ambulância depois que as suspeitas surgiram. O sistema, no entanto, apresentou um problema de alimentação justamente durante o transporte de Deanna. Os carabinieri até acompanharam o veículo, mas não conseguiram observar o que ocorria na parte traseira.
Neste mês, uma análise da seção de psicologia investigativa do Racis, órgão dos carabinieri, classificou o comportamento atribuído a Spada como compatível com uma lógica “predatória e serial”. O documento fala em uma motivação interna “obsessiva e incontrolável” e afirma que idosos e pessoas doentes seriam selecionados como vítimas.
Os advogados de Luca Spada, Marco Martines e Gloria Parigi, contestam tal leitura. Os juristas reforçam que Spada não será julgado como serial killer em outubro, sustentando que boa parte do material divulgado não deverá integrar o processo sobre Deanna. Para a defesa do ex-motorista de ambulância, expor os trechos das investigações antes do julgamento pode influenciar quem decidirá o caso.
O julgamento pela morte de Deanna está marcado para 15 de outubro, no Tribunal de Assise de Forlì, no norte italiano. Paralelamente, as outras cinco investigações contra Luca Spada continuam em aberto.