
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) , pediu nesta sexta-feira (11) que o presidente da Corte, Edson Fachin, determine a liberação integral dos documentos relacionados ao caso Banco Master .
A manifestação ocorre após André Mendonça retirar o sigilo de parte dos procedimentos que envolvem as investigações . Moraes afirma que a decisão não disponibilizou todo o material existente no sistema do tribunal e classificou o procedimento como uma "escolha seletiva". No sitema no STF, consta uma movimentação na Pet 15556, às 11h da manhã de hoje.
Segundo o ministro, 15 procedimentos tiveram documentos liberados parcialmente. Do total de 4.514 peças registradas, 4.334 foram disponibilizadas, deixando 180 documentos fora do acesso dos ministros .
Para Moraes, a ausência desse material compromete a análise das provas.

"O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (...) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", escreveu.
O ofício de Alexandre de Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin, protocolado em 11 de setembro de 2026, pede:
- retirada total e irrestrita do sigilo de todos os procedimentos relacionados à PET 15.556;
- julgamento conjunto das PETs 16.662 e 16.704;
- intimação dos magistrados citados nos autos.
Moraes também solicitou que a área de Tecnologia da Informação do STF faça uma conferência e informe a quantidade exata de procedimentos relacionados às investigações.
O que Moraes quer
Além da liberação completa dos documentos, o ministro pediu que duas petições sejam analisadas conjuntamente pelo Supremo.
Uma delas trata das mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Moraes. A outra reúne questionamentos sobre a atuação de André Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero".
A avaliação conjunta, segundo Moraes, evitaria que o tribunal tome decisões diferentes sobre assuntos considerados relacionados.
O ministro pediu ainda que os demais integrantes do STF citados nos autos sejam intimados para prestar esclarecimentos.
Moraes sustenta que a liberação parcial ocorreu enquanto Mendonça é, segundo ele, "diretamente interessado no julgamento" de uma das questões que serão analisadas pelo tribunal.
Representações contra Mendonça
A petição que ficou fora da análise conjunta reúne representações relacionadas à atuação de Mendonça nas operações da Polícia Federal.
Os questionamentos mencionam suspeitas de irregularidades na condução das investigações, incluindo suposta interferência na direção dos trabalhos policiais, problemas relacionados a tratativas de colaboração premiada e possível direcionamento de investigados.
Entre os nomes apontados nas representações estão Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre (União).