Ação da PF contra sócio de Lulinha vazou antes do acontecer

Decisão judicial aponta que investigados souberam de ação da Polícia Federal pouco antes do cumprimento das medidas cautelares em novembro de 2025

Lulinha é filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva
Foto: Reprodução/Youtube
Lulinha é filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva

Operação da  Polícia Federal (PF) sob pessoas investigadas e ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vazou antes de efetivamente acontecer, em novembro de 2025. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) revelou em decisão judicial que envolve um dos alvos no processo, que a informação sobre a ação policial  circulou antecipadamente entre os envolvidos.

O STJ menciona no documento  Carla Ariane, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o empresário Kalil Bittar, sinalizado como sócio de Lulinha . A quebra dos sigilos das medidas de busca e apreensão aconteceu antes de deflagrada de forma oficial, a primeira fase da investigação pública conduzida pela PF.

Vazamento 

Segundo dados do inquérito, em vias de acontecer a ação policial, o ex-secretário de Educação de Sumaré (SP), José Aparecido Marin, trocou várias mensagens com o empresário acusado de ser o principal operador do esquema (Kalil). A conversa acabou em pedidos para apagar conteúdos delicados dos celulares dos investigados .

Além disso, o ex-secretário alvo da operação que seria deflagrada pouco tempo depois, não foi encontrado em seu endereço no dia da execução do mandado de prisão preventiva . A defesa de Marin ainda não se manifestou sobre o assunto.

Tais fatos são robustecidos pela circunstância de que MARIN não foi localizado nos endereços previamente identificados, com indícios de abandono e retirada às pressas de pertences, tendo permanecido foragido até a concessão da ordem para a expedição de contramandado de prisão.
Decisão STJ


Entenda o caso: A Operação Coffee Break

A Operação Coffee Break da Polícia Federal apura um susposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. As investigações miram em repasses financeiros incomuns e contratos milionários que envolvem empresários e agentes públicos .

O ex-secretário Marin é apontado por operar uma suposta organização criminosa que pagava propina a agentes públicos. O esquema teria tido apoio de Carla Ariane e Kalil Bittar que exerciam provável influência no  governo federal a fim de garantir repasses de dinheiro aos municípios envolvidos.

Em contrapartida, Kalil teria recebido R$ 210 mil por mês e um carro de luxo, uma BMW 540. Ele e Ariane foram alvos de busca e apreensão na primeira fase da operação, em novembro de 2025. Por se tratar de nomes ligados ao presidente, um novo inquérito foi aberto na PF. Todos os processos sobre o caso tramitam sob sigilo.


Sócio de Lulinha

O nome do empresário Kalil Bittar ganhou projeção após mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger . Esse caso está sendo investigado pela Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde.

Roberta Luchsinger é amiga de Lulinha e apontada como uma das operadoras do esquema
Foto: Reprodução/redes sociais
Roberta Luchsinger é amiga de Lulinha e apontada como uma das operadoras do esquema


Na comunicação do trio, o filho mais velho do presidente Lula se queixa a amiga Roberta de que Bittar estaria tentando fechar um contrato com a Telebras sem sua autorização. Na ocasião, a estatal era chefiada por Frederico Siqueira, atual ministro das Comunicações .

Sobre esse caso, a defesa de Bittar informou que ele não é alvo de investigações e que ele não está envolvido com quaisquer negociação com o ministério. Além disso, ressaltam que no âmbito da Operação Coffee Break, não fez nenhum tipo de lobby no governo federal e destacam que desconhecem qualquer tipo de apuração sobre esse assunto.