
O número de mortos nas enchentes que atingiram o Nepal e o Tibete chegou a 750, segundo as autoridades. Outras 3.044 pessoas continuam desaparecidas enquanto equipes de resgate tentam avançar pelas áreas mais destruídas do Himalaia.
A tragédia aconteceu após o colapso de uma geleira, que teria bloqueado temporariamente o curso de um rio. O acúmulo de água acabou provocando uma inundação repentina, acompanhada por uma forte correnteza de gelo, pedras, lama e outros detritos.
As condições para os trabalhos continuam difíceis. Novas chuvas fizeram os níveis dos rios subirem e obrigaram moradores e socorristas a procurarem locais mais altos.
Túneis viram prioridade nas buscas
Uma das maiores preocupações das equipes está nas usinas hidrelétricas. Centenas de pessoas são consideradas possíveis vítimas presas em túneis depois que a enxurrada atingiu a região.

No Nepal, as autoridades contabilizam 734 mortos, 2.498 desaparecidos e 7.514 pessoas resgatadas. No lado chinês, no condado de Gyirong, outras 16 pessoas morreram e 546 estão desaparecidas.
A situação também envolve cidadãos estrangeiros. Entre os desaparecidos no lado tibetano estão pessoas de 23 países, incluindo Nepal, Índia, Letônia, Estados Unidos e Reino Unido.
Equipes da Índia e da China foram mobilizadas para ajudar na abertura dos túneis e nas operações de busca.
Novos deslizamentos aumentam o risco
Além da dificuldade provocada pela chuva, os socorristas enfrentam o risco de novos deslizamentos.
Um lago havia se formado rio acima depois do deslizamento provocado pelo colapso da geleira e chegou a ameaçar as operações. Embora praticamente tenha desaparecido, drones identificaram outro deslizamento a cerca de 2,8 quilômetros rio abaixo, formando uma nova barreira e um novo reservatório de água.
Por causa do risco, as autoridades transferiram equipes de resgate para uma área considerada mais segura, próxima à passagem de fronteira de Gyirong.
A China informou que o desastre está relacionado à instabilidade das geleiras provocada pelos efeitos de longo prazo do aquecimento global. Imagens de câmeras de segurança registraram a força da enxurrada, que atingiu construções enquanto moradores tentavam escapar.
Nepal passa a aceitar ajuda internacional
Inicialmente, o governo do Nepal havia afirmado que conseguiria realizar sozinho as operações gerais de busca e salvamento. Diante da dimensão da tragédia, porém, o país mudou de posição e passou a aceitar ajuda internacional.
Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh haviam demonstrado interesse em enviar equipes.
Grupos especializados da Índia já chegaram ao Nepal, enquanto uma equipe da China era aguardada para reforçar os trabalhos.
O governo nepalês afirma que a principal necessidade, neste momento, é de apoio técnico especializado.
Entre as prioridades estão o resgate em túneis, a recuperação de comunicações e estradas, a identificação de vítimas, a realização de exames de DNA e o armazenamento adequado dos corpos.
Infraestrutura ficou destruída
A enchente também provocou uma grande destruição na infraestrutura das áreas atingidas.
Escolas, hospitais, estradas, pontes e usinas hidrelétricas foram danificados. Cerca de 20 pontes foram destruídas, dificultando o transporte e a comunicação entre as regiões afetadas.
O governo pediu ajuda à Índia e à China para acelerar a reabertura das rotas de transporte e comunicação.
Hospitais também enfrentam dificuldades para lidar com o número de vítimas. Segundo o governo, algumas unidades estão sobrecarregadas e não possuem refrigeradores suficientes para armazenar os corpos enquanto os trabalhos de identificação avançam.
Reconstrução pode chegar a US$ 5 bilhões
Enquanto as buscas continuam, o Nepal já calcula o tamanho do esforço necessário para recuperar as áreas destruídas.
O ministro das Finanças estima que o país precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões, para reconstruir as regiões afetadas.
O custo inclui a recuperação da infraestrutura destruída pelas enchentes e pelos deslizamentos provocados pelo colapso da geleira.