
Uma grande quantidade de espuma voltou a cobrir o Rio Tietê , em Salto, no interior de São Paulo, neste domingo (16). Imagens feitas por drone mostram uma extensa camada branca sobre a água na região do Complexo da Cachoeira. Em alguns pontos, a espuma ocupa praticamente toda a superfície e esconde a correnteza .
O fenômeno não é novo na cidade. Episódios semelhantes foram registrados ao longo dos últimos anos e voltaram a ocorrer em 2026, inclusive em maio e julho. A formação está associada à presença de poluentes na água e às características do rio no trecho de Salto.
O que causa a espuma?
Segundo a Prefeitura de Salto, a espuma está relacionada à carga de poluição que chega ao Rio Tietê, principalmente a partir da Região Metropolitana de São Paulo.
Entre os materiais presentes na água estão resíduos de detergentes e outros produtos de limpeza, além de matéria orgânica lançada sem tratamento adequado. Esses componentes podem atuar como surfactantes, substâncias que facilitam a formação de espuma quando a água é movimentada.
Em Salto, o problema ganha um aspecto ainda mais visível por causa das corredeiras e das quedas d'água do rio. A turbulência aumenta o contato da água com o ar e favorece a formação e o acúmulo da espuma.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) explicou, em episódio semelhante registrado em julho, que a vazão e a movimentação da água na região podem contribuir para esse processo. O órgão mantém monitoramento contínuo do Tietê.
Fenômeno se repete durante o ano
Apesar de chamar atenção pelas imagens, a espuma não é uma ocorrência isolada. O fenômeno é recorrente em Salto e também já foi observado em outros municípios ao longo do Tietê.
Em maio deste ano, por exemplo, uma extensa camada branca tomou o Complexo da Cachoeira. Na ocasião, a Cetesb informou que um período de estiagem seguido por chuva havia contribuído para o aumento da vazão do rio e que as condições das corredeiras poderiam favorecer a formação de espuma.
Pouco mais de dois meses depois, em julho, o material voltou a aparecer entre o Parque das Lavras e o complexo turístico da cachoeira. Segundo informações divulgadas na época, a concentração de poluentes durante períodos de estiagem ajuda a deixar o fenômeno mais evidente.
A ocorrência também não é recente. Registros de anos anteriores mostram que a espuma aparece principalmente quando há menor volume de água e maior concentração de poluentes no rio.
Poluição percorre o rio até chegar a Salto
A situação também revela um problema que vai muito além do município. O Tietê nasce em Salesópolis, na Grande São Paulo, e percorre cerca de 1,1 mil km pelo estado até chegar ao Rio Paraná. Ao longo desse caminho, recebe água de diferentes afluentes e cargas de poluição.
Segundo a SOS Mata Atlântica, a ocorrência da espuma está relacionada à concentração de poluentes acumulados ao longo da bacia, especialmente na região metropolitana, onde são lançados resíduos de produtos de limpeza e esgoto.
Por isso, a prefeitura de Salto afirma que a solução definitiva depende da redução da poluição lançada no rio antes de ele chegar ao município.
Cetesb acompanha situação
A Cetesb informou que mantém ações de monitoramento e fiscalização do Rio Tietê. Entre as medidas estão vistorias e coletas de água. Desde 2026, o órgão também passou a utilizar imagens de satélite para acompanhar aproximadamente mil quilômetros do rio.
O monitoramento é importante porque a espuma, além de ser um sinal visual da presença de poluentes, está associada a uma água de baixa qualidade ambiental.
Em episódios anteriores, a Defesa Civil chegou a alertar para possíveis riscos relacionados à espuma e recomendou evitar o contato direto com o material.
O que está sendo feito para recuperar o Tietê?
Salto participa de discussões sobre a recuperação do rio por meio de fóruns e comitês de bacia. O município também integra o FIAR-Tietê, ligado ao Programa Integra Tietê, do governo estadual.
A iniciativa reúne ações de curto, médio e longo prazo voltadas à melhoria da qualidade da água. A própria Cetesb participa do programa e desenvolve trabalhos para identificar e acompanhar as principais fontes de poluição que chegam à calha do Tietê e aos seus afluentes.
Em fevereiro de 2026, por exemplo, uma reunião da Câmara Técnica Rio Tietê, realizada em Salto, discutiu justamente ações do FIAR e projetos relacionados ao diagnóstico ambiental de microbacias da região do Médio Tietê.
Problema depende de saneamento
Para especialistas e órgãos ambientais, a redução desses episódios passa principalmente pela ampliação da coleta e do tratamento adequado de esgoto.
Isso porque, quando detergentes, matéria orgânica e outros resíduos chegam ao rio sem tratamento suficiente, eles alteram as características da água e podem favorecer a formação das espumas.
O desafio, portanto, não está apenas em Salto. Como o Tietê atravessa diversas cidades, a recuperação depende de ações coordenadas em toda a bacia hidrográfica.