
Antes do surgimento da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), a ligação entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo era feita por outra rodovia. Criada em 1928, durante a época do governo de Washington Luiz, a via recebeu o nome do então presidente da República.
Com o passar dos anos e a construção da Dutra, passou a ser chamada de Estrada Velha Rio-São Paulo. Ou, para os moradores das inúmeras cidades que a rodovia corta, simplesmente Estrada Velha. Ela foi pensada para ligar os estados mais populosos do país. Na época, a capital federal era o Rio de Janeiro e São Paulo vivia um período de crescimento.
A Estrada Velha corre paralela à Dutra, com a maioria dos trechos em mão unica. Para quem viaja no sentido Rio - São Paulo, a rodovia quase centenária fica do lado direito na maior parte do percurso (veja imagem abaixo).
Antes dela, eram necessários cerca de seis dias para ir de uma capital até a outra. Atualmente, a viagem de carro dura em torno de 6 horas, em condições normais.
Fábricas de carros forçaram o país a ter mais rodovias
Nas primeiras décadas do século passado, a população estava em expansão, principalmente no lado paulista. Entre 1900 e 1920, o número de habitantes na cidade de São Paulo saltou de 239 mil para 579 mil (mais de 140% de crescimento).
Naquele período, o Brasil viu serem instaladas as primeiras fábricas de carros no país, quando a Ford e a General Motors abriram unidades na capital paulista.
Até então, o estado tinha cerca de 5 mil veículos, e alcançaria mais de 40 mil em menos de 20 anos. E as vias existentes não comportariam essa mudanca.

Com isso, apesar do então predomínio do transporte por trem, a demanda por estradas para receber carros precisava ser atendida. Sem contar que as viagens de ônibus também cresciam.
Foi nesse cenário que o governo brasileiro estabeleceu as primerias diretrizes para um projeto rodoviário federal, com o chamado Plano Catrambi, estabelecendo que o Brasil teria, inicialmente, 17 estradas federais e 12 estaduais.
Entre as medidas para aumentar e melhor o sistema de rodovias, ficou definida a ligação Rio - São Paulo e a pavimentação da Rio - Petrópolis.
Rota comercial
Batizada de SP-62, a Estrada Velha liga o distrito de Eugênio de Mello, em São José dos Campos, até Cachoeira Paulista, já próximo à divisa com o estado fluminense, numa distância superior a 100 quilômetros.
Apesar de serem, na teoria, a mesma ligação, na prática, a Via Dutra e a Estrada Velha possuem características distintas.
A rodovia que vai completar um século em 2028 foi criada também para fortalecer a relação comercial entre as cidades da região.
Em conversa com o iG, o historiador Moacir José dos Santos, da Universidade de Taubaté (UNITAU), explicou que essa ligação estimulada pelo uso da via representava a modernidade da época, além do impacto simbólico de aproximação.
Esse processo de formação, ainda de acordo com o especialista, é diferente da proposta de surgimento da Dutra .
Estrada Velha garante acesso direto a quase todas as cidades
Inaugurada mais de 20 anos depois, depois modernizada e tendo as faixas ampliadas, a Via Dutra não contempla todas as cidades por onde passa a Estrada Velha.
É o que acontece com Silveiras, São José do Barreiro, Areias, Bananal no Vale Histórico, que não são acessadas diretamente pela Dutra, mas, sim, pela Rodovia dos Tropeiros (SP-68), também chamada de Estrada Velha .
Por causa da Dutra, esse trecho perdeu bastante movimento e, consequentemente, importância econômica.
A vida de quem mora ao lado da Estrada Velha
Diferentemente da ''vizinha'' Dutra, onde ter uma casa colada com a pista não é possível, na velha rodovia isso é bastante comum. É o caso do senhor Antônio Augusto da Silva, de Cachoeira Paulista, há mais de 70 anos.
Em entrevista ao iG, o aposentado contou que o pai recebeu a casa do patrão para cercar a fazenda em que eles viviam, por causa da construção da rodovia.
Mesmo com a redução do movimento, deslocado para a Dutra, Luiz Cláudio, outro morador de Cachoeira Paulista, diz que ainda não se acostumou com o movimento do lugar para onde se mudou há pouco mais de 10 anos.
Diferentes nomes
No Vale do Paraíba, a Estrada Velha Rio-São Paulo tem diversos nomes, e em cada cidade é chamada de forma diferente.
Ao todo, são oito formas de identificar a SP-62, que se junta à Rodovia dos Tropeiros (SP-68) para seguir até o estado do Rio de Janeiro. Veja:
- Rodovia Prefeito Edmir Viana Moura:
Tem início no distrito de Eugênio de Melo, em São José dos Campos, e vai até o limite com Caçapava.
- Rodovia Vito Ardito Lerário:
Cruza a cidade de Caçapava e segue até a entrada de Taubaté, no entroncamento com a Rodovia Oswaldo Cruz (SP-123).
- Rodovia Prefeito Emílio Amadei Beringhs:
Vai do entroncamento com Oswaldo Cruz até o início da área urbana de Taubaté.
- Rodovia Amador Bueno da Veiga:
Conecta o município de Taubaté à cidade de Pindamonhangaba.
- Rodovia Vereador Abel Fabrício Dias:
Tem início em Pindamonhangaba, passando pelo distrito de Moreira César, e segue até o município de Roseira.
- Rodovia Professora Marieta Vilela da Costa Braga :
Liga Roseira à cidade de Aparecida.
- Rodovia Padroeira do Brasil:
Conecta Aparecida até o trecho de Guaratinguetá.
- Rodovia Prefeito Aristeu Vieira Vilela:
Conecta Guaratinguetá até o trecho de Lorena.
- Deputado Oswaldo Ortiz Monteiro:
Tem início em Lorena, passando por Canas, e segue até o município de Cachoeira Paulista.
- Rodovia dos Tropeiros (SP-68):
A Rodovia dos Tropeiros, diferentemente da SP-062, possui apenas um nome oficial para toda a sua extensão. O trecho é a continuação da Estrada Velha Rio-São Paulo na região do Vale Histórico. Ela tem cerca de 130 quilômetros de extensão e começa em Silveiras, seguindo até a divisa com o estado do Rio de Janeiro, em Bananal.