Empresas de mesma família são investigadas por fraude no RS

Segundo Ministério Público do Rio Grande do Sul, 15 cidades gaúchas foram atingidas por esquema na coleta de lixo; nove empresários são suspeitos

Foram cumpridas 11 ordens judiciais na manhã desta quinta-feira (25)
Foto: Foto: Divulgação/MPRS
Foram cumpridas 11 ordens judiciais na manhã desta quinta-feira (25)

Durante a manhã desta quinta-feira (25), uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) cumpriu ordens judiciais contra grupo suspeito por fraudar licitações e contratos públicos de serviços de coletas de lixo em 15 cidades gaúchas .

As prefeituras afetadas pelo suposto esquema estão em investigação, segundo o MPRS. São elas:

  • Rosário do Sul
  • Santo Antônio da Patrulha
  • Torres
  • Rolante
  • Terra de Areia
  • Bom Jesus
  • Nova Santa Rita
  • Caraá
  • São Leopoldo
  • Três Forquilhas
  • Bom Princípio
  • Novo Hamburgo
  • Silveira Martins
  • Nova Hartz
  • Xangri-Lá

Segundo a investigação, o serviço afetado vai desde a coleta de lixo urbano até o transporte e a destinação final dos resíduos, o qual seria fraudado para ampliar os valores recebidos pelas prefeituras e para garantir a contratação das empresas pertencentes ao grupo .

O grupo estaria estruturado entre nove suspeitos, que eram familiares e empresários . Eles utilizariam as empresas de forma interligada para simular concorrência para as licitações e seguir com o esquema , conforme o MPRS.

Foram cumpridas 11 ordens judiciais em mandados de busca e apreensão domiciliar em residências e sedes de empresas ligadas ao grupo. Contudo, o MPRS ainda não agiu dentro das prefeituras dos municípios afetados.

Para encerrar as atividades ilegais, medidas cautelares foram impostas, restringindo deslocamento e proibindo participação em licitações. O órgão ainda apura qual o valor total desviado pelo esquema.

Ainda, a Justiça determinou o bloqueio de bens do grupo familiar e das empresas em um limite de até R$20 milhões, com objetivo de evitar a dissipação do patrimônio ao longo das investigações.


Entenda o esquema

De acordo com as investigações, após a concorrência simulada para ganhar licitações e contratos, o grupo chegava a manipular medições de resíduos, realizar cobranças repetidas e registrar serviços nunca executados .

A prática foi apelidada como "lixo fantasma" e, segundo levantamento técnico, um sobrepreço de cerca de 40% era praticado nos contratos . 

O próximo passo seria movimentar valores entre pessoas interpostas e empresas de fachada para disfarçar tanto os valores indevidos quanto os verdadeiros mandantes . Ainda, o MPRS suspeita de vantagens oferecidas a agentes públicos.

Os nove investigados são suspeitos por organização criminosa, fraude ao caráter competitivo de licitações, fraude em contratos administrativos, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro .

Conforme o Ministério, eles estavam organizados entre:

  • Empresário líder : responsável pela articulação e controle das empresas;
  • Empresárias do núcleo familiar : titulares formais de empresas e cooperativa utilizadas no esquema;
  • Empresários vinculados : atuavam na simulação de concorrência;
  • “ Laranjas ”: figuravam formalmente em cargos sem atuação efetiva;
  • Área técnica : responsável pela elaboração centralizada de orçamentos e propostas;
  • Ex-agente pública : envolvida no direcionamento de contratações em uma das prefeituras e posterior atuação para empresas do grupo.

As empresas suspeitas pelo esquema criminoso não tiveram seus nomes divulgados, nem os empresários investigados.