Família pede justiça pela primeira vez após tragédia em rope jump

Em carta, familiares lamentam a morte da jovem em Limeira (SP), cobram responsabilização dos envolvidos e pedem que o caso sirva de alerta

Maria Eduarda tinha 21 anos e morreu na manhã deste sábado (13) após ser lançada em salto de queda livre sem corda de segurança, em Limeira (SP)
Foto: Reprodução/redes sociais
Maria Eduarda tinha 21 anos e morreu na manhã deste sábado (13) após ser lançada em salto de queda livre sem corda de segurança, em Limeira (SP)

A família de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas , de 21 anos, se pronunciou publicamente pela primeira vez desde a morte da jovem durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo . Em uma carta divulgada no último sábado (20) pela Gazeta de Limeira, os familiares compartilharam a dor pela perda, relembraram os sonhos interrompidos da jovem e fizeram um apelo por justiça.


No texto, assinado como “Família Rodrigues – Jandira/SP”, Maria Eduarda, chamada carinhosamente de Duda, é descrita como uma jovem alegre, dedicada aos estudos e cheia de planos para o futuro.

Os familiares destacaram que a jovem era formada em Nutrição Esportiva, cursava Educação Física e tinha previsão de concluir a graduação em 2027. Segundo a carta, ela também trabalhava como recepcionista e estagiária em uma academia, onde demonstrava a paixão que tinha pela área esportiva.

A nota ainda relembra os projetos pessoais de Maria Eduarda. “Duda nutria muitos sonhos para o futuro. Estava em um relacionamento de namoro e planejava se casar em breve, com o desejo de construir sua própria família e proporcionar a seus avós a alegria de conhecerem seus filhos. Todos esses projetos de vida foram ceifados” , escreveram.

Ao comentar a tragédia, a família afirma que a morte da jovem foi um fato “inaceitável” e diz acompanhar de perto o andamento das investigações.

Os familiares ressaltam ainda que buscam justiça e defendem que todas as circunstâncias do caso sejam esclarecidas.

“É fundamental que todas as responsabilidades sejam apuradas com rigor e que todos os envolvidos sejam devidamente responsabilizados por suas ações e omissões” , diz outro trecho da manifestação.

A família também afirma esperar que a morte da jovem possa servir de alerta para evitar novas tragédias. “Desejamos, acima de tudo, que a elucidação deste caso sirva de alerta para que situações como esta não se repitam, protegendo assim a vida de outros jovens.”

Investigação continua

Maria Eduarda morreu em 13 de junho, após cair de uma altura aproximada de 40 metros durante a prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.

Maria Eduarda Rodrigues faleceu após saltar de rope jumping
Foto: Reprodução/redes sociais
Maria Eduarda Rodrigues faleceu após saltar de rope jumping


As investigações da Polícia Civil apontam que a jovem foi lançada sem estar conectada às cordas de segurança que deveriam protegê-la durante o salto. O caso teve grande repercussão nacional e levantou questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados pelos organizadores da atividade.

Segundo a investigação da polícia, Maria Eduarda pagou R$ 180 pela experiência e outros R$ 150 para que o salto fosse gravado por uma câmera 360 graus. O equipamento, que aparecia nas mãos da jovem antes da queda, ainda não foi localizado pelos investigadores e segue sendo procurado.

Três pessoas ligadas à organização da atividade foram presas e são investigadas por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte. A Polícia Civil também apura se a atividade era realizada sem uma empresa formalmente constituída e regulamentada, além de possíveis falhas nos procedimentos de segurança.

Na última semana, a Justiça de São Paulo manteve as prisões preventivas de dois dos investigados, Maicon Fernandes Cintra e Luís Felipe Feliciano Egoroff, ao negar pedidos liminares de habe,as corpus , instrumento jurídico utilizado para pedir a liberdade de uma pessoa presa ou contestar uma prisão considerada irregular.

Na decisão, o Tribunal de Justiça entendeu que ainda existem investigações em andamento e circunstâncias que precisam ser esclarecidas, como a realização de perícias e a apuração de fatos relacionados aos equipamentos utilizados no salto.

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Enquanto aguardam a conclusão das investigações, os familiares afirmam que seguirão em busca de respostas e pedem respeito neste momento de luto. “Pedimos que a privacidade da família seja respeitada neste período de grande sofrimento” , conclui a nota.

Confira a nota completa

"É com uma dor imensurável e o coração desolado que a Família Rodrigues se dirige ao público neste momento tão difícil, após a trágica e prematura perda de nossa querida Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, carinhosamente conhecida como Duda, aos 21 anos. Sua partida abrupta interrompe uma vida cheia de planos e sonhos, deixando uma ausência profunda em todos nós que a amamos.

Maria Eduarda, nascida em 25 de dezembro, sempre foi um verdadeiro presente para nossa família. Desde pequena, Duda se destacava por sua alegria, seu bom humor e sua energia contagiante. Recordamos com carinho de cada momento e de nosso empenho em vê-la feliz.

Ela era uma jovem dedicada e estudiosa, com uma trajetória exemplar. Com formação em Nutrição Esportiva, estava cursando Educação Física e tinha previsão de concluir a graduação em 2027. Sua paixão pela área se refletia em seu trabalho como recepcionista e estagiária em uma academia da nossa cidade.

Duda nutria muitos sonhos para o futuro. Estava em um relacionamento de namoro e planejava se casar em breve, com o desejo de construir sua própria família e proporcionar a seus avós a alegria de conhecerem seus filhos. Todos esses projetos de vida foram ceifados.

O crime ocorrido com a nossa Duda no último sábado, 13 de junho de 2026, durante a prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), ao ser lançada sem estar devidamente conectada aos equipamentos de segurança é inaceitável e está sob investigação da Polícia Civil. Este fato causa-nos uma profunda angústia e indignação.

Neste momento de luto, a Família Rodrigues, acompanhada por sua assessoria jurídica, busca por justiça. É fundamental que todas as responsabilidades sejam apuradas com rigor e que todos os envolvidos sejam devidamente responsabilizados por suas ações e omissões. Confiamos na atuação diligente da Polícia Civil e do sistema Judiciário para que os fatos sejam plenamente esclarecidos e que a memória de nossa Duda seja honrada com a busca pela justiça. Desejamos, acima de tudo, que a elucidação deste caso sirva de alerta para que situações como esta não se repitam, protegendo assim a vida de outros jovens.

Agradecemos imensamente o apoio, a solidariedade e o carinho recebidos de todos, bem como o papel da imprensa na busca pela verdade e na divulgação deste caso. Pedimos que a privacidade da família seja respeitada neste período de grande sofrimento.

Com o coração partido,
A Família Rodrigues - Jandira/SP, 20 de junho de 2026."