O número de mortos na tragédia causada pelas chuvas em Juiz de Fora
e Ubá
chegou a 64, segundo o Corpo de Bombeiros e as prefeituras. Nesta sexta-feira (27), a corporação inicia o 4º dia de buscas na região da Zona da Mata mineira
para encontrar cinco pessoas desaparecidas.
De acordo com a última atualização, no início desta manhã às 5h30, a situação da Zona da Mata ficou da seguinte forma:
- Juiz de Fora: 58 mortes confirmadas e 3 desaparecidos;
- Ubá: 6 mortes confirmadas e 2 desaparecidos.
O Corpo de Bombeiros confirmou, nesta quinta-feira (25), que algumas casas do bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora, correm risco de deslizamento.
— iG (@iG) February 26, 2026
Chuvas intensas atingem a cidade e a região da Zona da Mata mineira, que já contabilizou 55 mortos.
📹 Ana Júlia Bellini/iG pic.twitter.com/WUQiWh9dXW
Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora, 4.200 estão desabrigadas e desalojadas na cidade. Já em Ubá, esse número chega a 16 e 178, respectivamente.
Durante a madrugada desta sexta, os trabalhos dos militares precisou ser interrompido por conta de uma nova chuva que atingiu Juiz de Fora. O mesmo aconteceu em Ubá, que registrou novos alagamentos e danos causados pelos fortes temporais que começaram a atingir a cidade na noite de quinta (26).
Cidades na rota das chuvas
Nesta sexta, a instabilidade ainda predomina, mantendo o tempo nublado com condições de chuva a qualquer hora na Zona da Mata, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Entretanto, a área de baixa pressão começa a se afastar do litoral, o que resulta em momentos de mormaço e abertura de sol. Porém, esse cenário tende a potencializar a ocorrência de pancadas mais fortes.
A partir de sábado, o avanço de uma massa de ar seco e frio sobre o estado tende a "empurrar" áreas de instabilidades para o norte, o que melhora o clima durante o fim de semana na região.
Em Juiz de Fora, as temperaturas ficam entre 19/21 de mínima e 25/27 de máxima. Já em Ubá, fica entre 16/19 nos períodos mais frios e 26/29 quando houver maior aquecimento.
Juiz de Fora é a cidade mais afetada
A maior cidade da Zona da Mata mineira acordou na terça-feira (24) com mais de 10 mortes. Porém, nos dias seguintes, o número aumentou progressivamente, até chegar às atuais 58 mortes na manhã desta sexta-feira (26).
Há ainda três pessoas desaparecidas e mais de 4,2 mil desabrigadas ou desalojadas, número que deve aumentar ao longo do dia após novo temporal atingir a cidade na madrugada desta sexta; o volume ainda não foi informado.
Segundo a Prefeitura, o volume registrado entre segunda e terça-feira foi de 190,8 mm no pluviômetro do bairro Nossa Senhora de Lourdes. Já entre quarta e quinta-feira, a precipitação chegou a 113 mm no pluviômetro da Cidade Universitária.
Com isso, o volume total de chuvas apenas no mês de fevereiro ultrapassa os 750 mm, o que representa mais de quatro vezes a média esperada para o período.
Perigo geográfico
A cidade tem um "desprevilégio" geográfico por ser rodeada de cadeia de montanhas, com altitude mínima de 467 km e máxima de 1.104, sendo uma espécie de "vale" onde há moradores no centro. As nuvens se acumulam e, com alta densidade, o que torna o município sucetivo para grandes desastres.
Juiz de Fora é uma das 10 cidades com mais pessoas em áreas de situação de risco para desastres naturais, de acordo com relatório de 2025 do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O município tem 128.946 das 540.756 pessoas em situação de vunerabilidade para desastres naturais. O valor representa 23,85%.
O fenômeno fez com que um dos pontos mais conhecidos da cidade sofresse com deslizamento, o que acarretou em desabamentos de casas próximas ao Morro do Cristo.
O Exército já se integrou as equipes que colaboram com os trabalhos de limpeza e busca. Presos devem participar da força-tarefa em breve, de acordo com o Governo de Minas.
Ubá: cenário de guerra
Ubá, cidade há 100 km de distância de Juiz de Fora, foi a segunda mais afetada em número de mortes na região. Segundo o Inmet, o município acumulou cerca de 170 milímetros de precipitação entre segunda e terça-feira, volume considerado elevado para o intervalo registrado.
Voltou a chover forte na noite de quinta-feira (26), mas o Inmet ainda não contabilizou o volume.
Seis pessoas morreram no município, de acordo com a Polícia Militar, além disso, outras duas estão desaparecidas.