Europa: governo suspende controle de fronteiras em aeroportos

Novo sistema está interrompido por 3 meses após filas ultrapassarem 9h de espera na imigração em Lisboa; inspeção de passaportes será manualmente

Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, Portugal
Foto: Divulgação Aeroporto de Lisboa
Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, Portugal

Com filas de mais de 9h de espera e muitas reclamações no controlo de fronteiras do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa , capital de Portugal, o governo europeu decidiu suspender por três meses a aplicação do novo sistema de entrada e saída de passageiros no espaço Schengen.

Em comunicado enviado a imprensa nesta terça-feira (30), o Ministério da Administração Interna confirmou o reforço imediato na estrutura de controle manual de passaportes, aproveitando a capacidade da Guarda Nacional Republicana (GNR).

O governo também se comprometeu a ampliar as portas eletrônicas que passarão de 16 para 24, e aprovou o investimento de € 7,5 milhões (cerca de R$ 49 milhões) para reforçar os sistemas de entrada e saída do Espaço Schengen, nos próximos dois anos.

Segundo comunicado oficial, a despesa aprovada pelo Conselho de Ministros português, será usada para aquisição de hardware, software e serviços de manutenção corretiva, no âmbito do novo sistema de entrada e saída do Espaço Schengen. A Polícia de Segurança Pública (PSP), que supervisiona as portas eletrônicas, receberá os recursos entre 2026 e 2028 para ampliar os postos de controle e melhorar a fluidez no aeroporto, que enfrenta críticas após sucessivos episódios de congestionamento.

Para o período do Natal e Ano Novo foi feito um reforço de 80 agentes, insuficientes para gerir o maior fluxo de passageiros neste período. Sem outras alternativas, o governo optou por suspender o novo sistema implantado. Com a suspensão, será feito apenas o controlo de passaportes manualmente.

Como funciona o sistema de controlo de fronteiras que está suspenso?

O novo sistema de controle de fronteiras, “Entry Exit System” (EES) foi implementado em outubro deste ano, para cidadãos extracomunitários e passou a exigir recolhimento de dados biométricos, como fotografia e impressões digitais dos passageiros, aumentando o tempo de espera no aeroporto.

Os espaços “e-gates” são destinados a cidadãos do Espaço Schengen, países equiparados como Suíça, Reino Unido e Noruega, além de viajantes com passaportes eletrônicos reconhecidos, como Estados Unidos, Canadá e Singapura.

Passageiros de países como Brasil, Angola e Emirados Árabes ainda continuarão a utilizar a fila geral, o que significa que a medida deve aliviar parte da pressão, mas não eliminar os gargalos para quem chega de fora da área Schengen.