Luzes iluminam a cidade
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Luzes iluminam a cidade

Por: Marcos L Susskind**

O mês de dezembro marca, no hemisfério Norte, o dia mais curto do ano e, ao contrário, o dia mais longo do ano no Hemisfério Sul.  

Esta característica faz com que diversas religiões tenham festas importantes neste mês. As mais conhecidas são o  Natal Cristão e o Chanuká Judaico. No entanto, ainda que menos conhecidos, não são menos importantes o Ano Novo do Taoísmo, o Bodhi Day do Budismo,  o Oshogatsu do Xintoísmo e ainda o Yule do Neopaganismo (Wicca). 

Todas estas comemorações têm algo em comum: a luz - iluminação por velas ou por lâmpadas e reuniões de famílias. Mariah Carey, em seu disco natalino Merry Christmas, canta: “Todas as luzes brilham tão intensamente por todas as partes”. Os Judeus chamam a sua festa de Chanuká pelo nome Festa das Luzes. O Bohdi Day budista comemora a data em que Sidhartha Gautama, o primeiro Buda, atingiu a iluminação e assim por diante. E mesmo desde os festivais antigos pré-cristãos, como a Festa de Juul, na Escandinávia, era comum que se acendessem grandes fogueiras para simbolizar o calor e a luz do sol.  

Note que todas as datas religiosas acima têm sua origem no Hemisfério Norte, no mês em que os dias são os mais curtos do ano. A necessidade de luz é sentida. Juntamente com isto, o frio clama pela chama do fogo, que além de iluminar, também aquece. Nada mais lógico que a espiritualidade, que aquece o coração humano, seja mais elevada neste período. Desde as mais antigas tradições este período é marcado pela celebração da luz e do renascimento tais como o "Dies Natalis Solis Invicti" romano (aniversário do Sol Inconquistável) e a Saturnália. Todas estas tradições religiosas são marcadas com temas de luz, família e gratidão durante a época mais escura do ano.  

O Hemisfério Sul, que recebeu imensa influência dos países do norte, apropriou-se das mesmas tradições, embora lá os dias de dezembro sejam longos, de sol e calor intenso. Mas mesmo assim prevalecem também no hemisfério sul, os temas de luz e esperança. 

Historiadores laicos acreditam que a data do Natal foi escolhida para coincidir com as celebrações pagãs existentes em torno do solstício de inverno, facilitando a disseminação do cristianismo ao incorporar festividades familiares à nova religião. E os Judeus, com seu Chanuká, não comemoram a vitória militar contra a grande potência Seleuco Helenista, mas sim o milagre que se seguiu, a chama do óleo sagrado do Templo reconquistado, que ardeu por oito dias. 

O nome Dezembro vem do Latim decem que significa dez. No calendário Romano era o décimo mês. Foi Juliano quem introduziu dois novos meses ao calendário, Janeiro e Fevereiro - mantendo o nome dos demais. Assim, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro foram deslocados dois meses adiante, o que explica a discrepância dos nomes - Setembro é o nono mês, Outubro é o décimo, Novembro etc. 

A reforma do calendário por Gregoriano (1582), o que usamos atualmente, corrigiu o erro dos anos bissextos do calendário Juliano. No entanto, houve um erro na contagem dos anos. A tradição Cristã reza que Jesus e seus pais fugiram para o Egito onde ficaram até a morte de Herodes. Ao retornarem, Jesus teria 3 anos de idade. Historiadores afirmam, unanimemente, que Herodes morreu no ano 4 antes da época Comum, quando Jesus teria 3 anos de idade. Assim, no ano que se conta como “nascimento de Jesus”, ele já estava, na verdade, com 7 anos de idade. É porisso que historiadores e arqueólogos não usam o termo Antes de Cristo ou Depois de Cristo (AC ou DC) mas sim Antes da Era Comum (AEC) ou na Era Comum (EC); em Inglês BCE ou CE (Before Common Era ou Common Era). 

A nosso leitor Cristão nosso desejo de um Feliz Natal e um excelente ano novo; aos Judeus um Chanuká shel Or; aos Xintoistas um bounenkai e um shinenkai, aos Budistas uma meditação tranquila, aos Taoistas um Xinnian Kuaile, aos Wicca Blessed Be e a todas as diferentes correntes de fé, que possamos atingir a luz e a iluminação, vivendo como irmãos, com compreensão, solidariedade e sem ódios! 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG

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