Vereador de SP pode ter mandato cassado por comentário racista

Camilo Cristófaro (Avante) é acusado de quebra de decoro por áudio vazado em CPI

Cristófaro (à esq.) já se envolveu em discussão com munícipe
Foto: Reprodução
Cristófaro (à esq.) já se envolveu em discussão com munícipe

Mais de 20 anos após cassar o mandato de dois vereadores por envolvimento na Máfia dos Fiscais e no ano seguinte ao caso, absolver uma ex-vereadora em outro processo, a Câmara Municipal de São Paulo volta a debater a conduta de um parlamentar.

Desta vez, Camilo Cristófaro (Avante) é quem estará sob a mira do plenário. Ele é acusado por colegas de ter cometido crime de racismo durante audiência remota da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Aplicativos.

O processo de cassação exige maioria absoluta para ser acatado, ou seja, 28 votos dos 55 vereadores. O mandato pode ser suspenso ou cassado, o que tornaria o parlamentar inelegível por oito anos. 

Entenda o caso 

Durante participação remota na sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Cristófaro não desligou o microfone. Desta forma, os vereadores conseguiram ouvir o comentário considerado racista, apontado imediatamente para o presidente da comissão:

"Não lavaram a calçada, é coisa de preto, né"

O vereador, que se desfiliou do PSB antes mesmo do pedido de cassação ser protocolado na corregedoria, nega ser racista e justifica sua fala como um "ato falho", uma "brincadeira" que não o torna racista.

"Setenta por cento de quem me acompanha são afros. Foi uma brincadeira infeliz com meu irmão de coração e que, mesmo ele sendo amigo há décadas, reconheço: fui infeliz, mas racista nunca”.

O parlamente parece estar em desvantagem no julgamento. Votaram a favor de seu processo as vereadoras Luana Alves (PSOL) e Sonaira Fernandes (Republicanos).

O vereador Milton Leite (União Brasil) se pronunciou publicamente a favor da cassação. Leite disse ter sido ofendido pelo ato de racismo do vereador. 

"Eu perco qualquer coisa, mas não a dignidade e o respeito. Como presidente manterei minha isenção respeitando os direitos do vereador, mas trabalharei como vereador pela cassação de seu mandato". 

A vereadora Elaine Mineiro, do mandato coletivo Quilombo Periférico (PSOL), é relatora do parecer e diz que o comentário foi nitidamente racista. 

"Uma fala alimentadora de estruturas que mantêm a população negra em posição de incompetência e inferioridade, sendo ofensiva a um conjunto indeterminado de pessoas, violentando todas as pessoas negras”. 

O que foi a Máfia dos Fiscais

No episódio ocorrido em 1999 e conhecido como Máfia dos Fiscais, a Câmara Municipal de São Paulo, aprovou a cassação do ex-vereador Vicente Viscome, condenado e preso por chefiar o esquema e também da ex-vereadora e Maeli Verguiniano, cassada por participação no mesmo episódio. 

*Com informações da Agência Brasil

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