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Um mês depois, queda do voo 447 segue sem explicação

SÃO PAULO - Um mês depois da queda do avião A330, da Air France, que levava 228 pessoas a bordo, diversas dúvidas permanecem sobre acidente. Até esta quarta-feira, a caixa preta do Airbus, que poderia fornecer informações preciosas sobre as circunstâncias da queda, não foi localizada no Oceano Atlântico. Cinquenta e um corpos de vítimas foram resgatados e, destes, http://ultimosegundo.ig.com.br/voo447airfrance/2009/07/01/novos+21+corpos+do+voo+447+sao+identificados+7052934.html35 identificados. Saiba o que o já foi descoberto sobre a tragédia e o que continua sem resposta:

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

Às 19h03 de domingo, dia 31 de maio, o Airbus decolou do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, com destino a Paris. A aeronave, que levava 12 tripulantes e 216 passageiros, deveria pousar no aeroporto Charles De Gaulle por volta de 6h10 (horário de Brasília) de segunda-feira. No entanto, uma série de incidentes fez com que essa trajetória fosse interrompida.

A Aeronáutica e a Marinha do Brasil encerraram, em 26 de junho, as buscas por destroços e corpos de vítimas . A justificativa apresentada pelos órgãos para finalizar as operações foi a "crença na impossibilidade de encontrar novos corpos".  

As possíveis causas

O presidente da Airbus, Tom Enders, disse que a empresa não irá especular sobre as causas do acidente, já que a investigação é feita pelo Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA, na sigla em francês), órgão vinculado ao Departamento de Transportes do País. 

As autoridades sabem, até o momento, que o avião sofreu uma série de panes elétricas após passar por uma Zona de Convergência Intertropical, onde é comum a formação de tormentas. Porém, as causas destas falhas ainda não são claras.

Reuters
Modelo de Airbus da Air France

Às 23h (horário de Brasília), o avião entrou em uma área de forte turbulência. Dez minutos depois de entrar na tempestade, o sistema Acrs (sigla em inglês para Sistema de Comunicação e Reporte) enviou a primeira mensagem indicando que o piloto automático do avião havia sido desconectado. Até então, nada de anormal tinha sido observado com o voo.

Ainda não é certo se o piloto automático foi desligado pelos pilotos ou se parou de funcionar por causa das leituras divergentes sobre a velocidade do avião.

Nos quatro minutos que se seguiram, a equipe recebeu diversas informações de panes em equipamentos e sistemas fundamentais para o voo, entre eles o Adiru, que fornece informações sobre velocidade, altitude e inclinação da aeronave, e o Isis, que passa as informações à tripulação. Com falha nesses equipamentos os pilotos podem ter se equivocado e voado de forma lenta ou rápida demais.

No dia 4 de junho, o jornal Le Monde publicou que a aeronave estava em velocidade errada. A informação foi confirmada pelo BEA. No entanto, o órgão não especificou se a velocidade era maior ou menor que a prevista para uma zona de condição meteorológica adversa.

O Arcs também reportou falhas elétricas nos sistemas de computadores PRIM1 e SEC 1, que comandam os spoilers ¿ partes móveis das asas - e mantém a estabilidade da aeronave.

A última das 24 mensagens que o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta) recebeu foi às 23h14 indicando entrada de ar exterior no avião. Neste momento, o Airbus, provavelmente, já estava em queda livre.

O avião não seguiu o plano de voo estabelecido antes de sua decolagem, onde estava previsto que deveria subir dos 35 mil pés (10,7 km) para 37 mil pés (11,3 km) após passar pelo ponto virtual Intol, a 565 km ao norte de Natal. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave se manteve nos 35 mil pés. Mas o motivo para isto ainda é desconhecido.

O problema dos Pitot

A falha nos tubos de Pitot (sensores de velocidade) é uma das principais pistas seguidas pelo departamento de investigação francês. Segundo o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanidan, todas as mensagens automáticas enviadas pela aeronave indicaram "incoerência da velocidade aferida".

Ele afirmou que o erro foi ocasionado pela diferença de leitura entre os três tubos de Pitot, que compõem o principal sistema de navegação do Airbus A330. Ao captar os dados com divergências de até 50km/h, os sensores podem ter levado ao desligamento automático em série de outros sistemas eletrônicos da aeronave. As razões dessa falha, porém, ainda são analisadas pelo BEA.

Por recomendação da Airbus, os tubos de Pitot começaram a ser substituídos nas mais de 50 companhias aéreas que utilizam este modelo de aeronave.

Hipóteses descartadas

A possibilidade de uma bomba, provocada por um atentado terrorista, ter derrubado o avião da Air France chegou a ser levantada por um piloto da companhia ao jornal francês Le Fígaro. A empresa confirmou ter recebido um falso alerta de bomba no dia 27 de maio, que estaria localizada em um voo entre Paris e Buenos Aires.

Os serviços de inteligência franceses investigaram também dois nomes correspondentes aos de pessoas conhecidas por sua ligação com o terrorismo islâmico na lista de passageiros do avião. Porém, a pista foi descartada por tratar-se de uma "simples homonímia", segundo as fontes policiais. 

O governo brasileiro considerou desde o início a hipótese de atentado "improvável". As análises nos corpos das vítimas, que não mostraram sinais de queimaduras, corroboraram para que essa possibilidade fosse descartada.

Outra hipótese levantada nos primeiros dias é que a aeronave havia sido atingida por um raio. Porém, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) rejeitou essa suposição, já que o avião pode até ter sido atingido por um raio, mas ele sozinho não o derrubaria. Segundo especialistas, a estrutura do avião é metálica e quando atingida por um raio descarrega a energia nas nuvens.

Avião seguro

O mistério envolvendo a queda do Airbus A330 é ainda maior se considerado que este modelo de avião é tido como muito seguro por especialistas e usado, principalmente, para voos de longa distância. Conforme o fabricante, a aeronave mede 58,8 metros e pode chegar a uma velocidade de 913 km/h.

Desde que começou a operar, em 2005, a Air France afirma que o avião acidentado havia realizado 2,5 mil voos, totalizando 18,8 mil horas. Era uma aeronave nova, disse a diretora-geral da companhia no Brasil, Isabelle Birem. A última manutenção ocorreu em 16 abril.

O Escritório de Investigações da França descartou a possibilidade do avião já estar com problemas antes de decolar.

Segundo a companhia aérea, os pilotos a bordo também eram bastante experientes. O comandante era francês, estava na companhia desde 1998 e tinha 11 mil horas de voo, das quais 1700 em Airbus 330/340. Os co-pilotos também eram franceses, um tinha 6600 horas de voo e o outro, 3 mil.

AFP
Destroços do Airbus A330 da Air France

Choque em alta velocidade

A hipótese de que o avião tenha explodido antes da queda é considerada bastante remota pelas equipes de investigação. A primeira análise feita nos corpos das vítimas não detectou nenhum sinal de queimadura, o que descartaria a possibilidade de fogo no avião.

Segundo os médicos legistas, quase todos os corpos apresentavam múltiplas fraturas nos membros superiores, inferiores e na região do quadril. Essa seria uma das evidencias de que o avião teria se chocado com a água em alta velocidade, causando politraumatismos nos ocupantes.

Além disso, as autoridades não descartam que pelo menos parte do Airbus A330 tenha se desintegrado antes de atingir o Oceano Atlântico, considerando que alguns dos cadáveres resgatados estavam despidos ou apenas com roupas íntimas. Esse é um sinal de que as roupas podem ter sido arrancadas pelo vento durante a queda.

A tese de desintegração parcial também é reforçada por mapas produzidos pela Força Aérea Brasileira (FAB), os quais mostram que os corpos foram encontrados em duas linhas distantes 85 quilômetros uma da outra. Conforme investigadores, mesmo depois de dias à deriva, se o avião houvesse chegado inteiro ao mar os corpos estariam mais próximos uns dos outros.

A possibilidade de afogamento também é mínima, já que não foram encontrados sinais de água nos pulmões das vítimas, o que caracterizaria tal morte.

Voo 447 da Air France

Entenda o caso:

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