"Sonho que meu filho está chegando", diz pai de vítima do AF 447

Para Nelson Marinho, encontro de corpos foi "uma esperança", mas reconhece que entre os familiares os sentimentos estão "confusos"

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

“A notícia foi uma esperança. Como meu filho não foi encontrado, às vezes sonho que ele está chegando em casa, batendo na porta. Acho que agora poderei dar um fim a essa história”, diz o aposentado Nelson Farias Marinho, pai do mecânico de plataforma petrolífera Nelson Marinho, um dos passageiros do voo AF 447, da Air France. Nelson também preside a Associação de Parentes de Vítimas que acompanha as investigações sobre a queda do avião, em maio de 2009, que deixou 228 vítimas . Embora tenha sentido “um alento” com a possibilidade de encontrar o corpo de seu filho mais velho, ele reconhece que a notícia provocou sentimentos “confusos” entre outros familiares.  

De acordo com a associação, havia um acordo verbal entre os parentes das vítimas e o governo francês de que qualquer informação sobre o acidente seria apresentada primeiramente às famílias dos passageiros. “Por isso, algumas pessoas se sentiram ultrajadas por terem tomado conhecimento da descoberta através da imprensa. Consideraram desrespeito”, afirmou o diretor executivo da associação, o gerente de hotel Maarten Van Sluys.

Maarten perdeu a irmã no acidente, a jornalista Adriana Francisca Van Sluys, de 40 anos. Ele também avaliou como positiva a notícia de que corpos poderão ser resgatados e identificados. “Para mim essa é uma questão de honra. Chegaram a defender a hipótese de que nunca se descobriria onde o avião caiu. Sempre considerei isso inconcebível. Agora, já temos até notícias dos corpos”, falou. “No entanto, há pessoas que estão receosas. Alguns membros da associação me ligaram para falar sobre o medo de serem frustrados. Receiam alimentar falsas esperanças e, no fim, não encontrar seus entes”, relatou.

Maarten explicou ainda que há muitas dúvidas sobre os corpos que teriam sido encontrados. Na quinta-feira (6) ele embarca para a França e no sábado (9) se reúne em Paris com os responsáveis pela investigação, na sede do Ministério dos Transportes francês. “Há muitas questões que precisam ser esclarecidas, as notícias que temos até agora são evasivas”, afirmou. “Não sabemos em que condição os corpos estão. Foram encontrados dentro da aeronave? Se foram, como eles conseguiram localizá-los? Se estão fora do avião, como ficaram conservados na água salgada?”, questionou.

Filho do advogado da ONU Joseph Owondo, Alain Owondo também recebeu bem a notícia da possibilidade de identificar o corpo do pai. “Acho que é importante ter um lugar para ele ser enterrado. Se isso for possível, poderemos levar flores, deixar mensagens. Minha mãe está na expectativa. Todos nós estamos. Mas até agora a Air France e o governo francês não nos avisaram sobre nada. O que sei, vi na TV”, contou.

O irmão de Nelson Marinho, filho do presidente da associação de vítimas foi um dos que não aprovaram a divulgação da notícia de que corpos foram encontrados. “De que adianta? Meu irmão gostava de mar, por mim, deixava ele quieto lá. É muito difícil mexer nesse assunto, a história está muito recente. A ferida não cicatrizou”, concluiu Newton Marinho.

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