Sensor congelado causou pane em aviões em 2008

O congelamento dos sensores de velocidade em dois aviões Airbus A330 da companhia francesa Air Caraïbes, em agosto e setembro de 2008, provocaram panes eletrônicas idênticas às indicadas pelas mensagens automáticas enviadas pelo voo AF 447, que realizava a rota Rio-Paris quando caiu no Oceano Atlântico.

Redação com agências |

Um relatório oficial, ao qual o jornal "O Estado de S. Paulo" teve acesso, indica que os tubos de pitot - as sondas - falharam depois de expostos a fortes precipitações, combinadas com baixas temperaturas, levando à incoerência da velocidade aferida e ao desligamento automático dos sistemas eletrônicos de navegação.

Esse erro eletrônico no AF447 foi a primeira informação confirmada pelo Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA), da França, que apura as causas do desastre. O documento foi assinado pelo oficial de segurança de voos Hugues Houang em 1º de dezembro de 2008.

Voo 447 da Air France

A investigação foi aberta após o registro de dois incidentes com A330 que realizavam a rota Paris-Fort de France, na ilha de Martinica, no Caribe. Em ambos os voos, as condições meteorológicas adversas causaram congelamento das sondas térmicas TAT e dos tubos de pitot do avião.

O resultado das panes foi o desligamento em sequência de sistemas eletrônicos que instruíam a tripulação sobre o voo - como velocidade e altitude. Após instabilidade, as tripulações conseguiram reassumir o controle do avião, acionando mecanismo de degelo nos pitots. O relatório informa que foi recomendado à Air Caraïbes a substituição dos tubos de pitot nos Airbus da companhia por novos modelos, também do grupo francês Thales, que mostraram melhor performance sob fortes precipitações.

Em reunião com a Airbus, Houang diz que os técnicos da companhia tiveram dificuldades para explicar a mensagem incoerência de velocidade. Procurada pela reportagem, a porta-voz da Airbus afirmou que a empresa não comentaria as diferenças técnicas entre os dois modelos de pitot. O Thales Group afirmou que não cabe à empresa tecer comentário a respeito destes fatos.

Troca de sensores

As companhias aéreas TAM e Air France têm seis meses, desde esta terça, para substituir os sensores de velocidade de seus aviões. O objetivo da determinação judicial, que teve como base inquérito instaurado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, é garantir mais segurança nos voos efetuados das duas companhias. Nesta terça, a Air France informou que irá substituir os tubos de pilot em alguns dias.

A Agência Europeia de Segurança Aérea (Easa) admite que poderá emitir uma ordem para que todas as empresas modifiquem os sensores de velocidade em aviões fabricados pela Airbus. Nesta terça, a entidade publicou um boletim de segurança para os pilotos e operadores, indicando o que deve ser feito em caso de falha em pleno voo.

A Easa ainda tentou tranquilizar os pilotos. A agência confirma que o Airbus A330 e todos os outros aviões da companhia são seguros para operar.

(*Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo")

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